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sexta-feira, 8 de julho de 2022

Capas de Novos Projetos Literários

A seguir publico as versões preliminares das capas de meus novos projetos literários "O Projeto Democrático da República Brasileira" e "Processos Psicológicos da Informação". Clique nas imagens para ampliar.






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quinta-feira, 7 de julho de 2022

A Felicidade da Razão

Toda felicidade é o fruto do sucesso em harmonia, afinal nem tudo que é bem sucedido é feliz ou traz felicidade, pois estes tem relações com dois fatores: realização e reconhecimento. Quando os dois são equivalentes e proporcionais sempre será justo, e assim feliz. Porém, caso a realização seja ilícita, cruel e através do erro o equivalente reconhecimento aos fatos o desfaz. Similarmente caso o reconhecimento seja injusto e falso ante a realização, apenas a aparência de ter sido feliz se faz. 

Os resultados são os frutos como os fatos que corroboram o justo reconhecimento, de seu trabalho em empresas a vida pessoal, acadêmica ou artística. Todavia, quando os feitos se tornar injustamente onerosos e custosos, ainda que lícito, mas por revés alheios sobre si, o ato de não valer a pena é científico fato da infelicidade.

Como os altos prazeres de Kant, a felicidade é razão!

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quarta-feira, 6 de julho de 2022

As arbitrariedades da exploração




As legítimas relações sociais não são apenas espontâneas e sinceras em sua honestidade, como está presente em auxílio e suporte nas lutas e dificuldades, não atrapalhando e apenas querendo partilhar de seu sucesso e bônus. Porém, pessoas falsas apenas querem se aproveitar de seu sucesso, os interesseiros apenas através de sua desgraça. Os dois tem incomum uma coisa: as vezes se fingem de amigos para se promoverem pelo engano. Porém, o que acontece com décadas de terror psicológico das promessas de sofrimento e morte é crer que as únicas palavras verdadeiras destes são os crimes. Pra mim mais importa a lei e a verdade vencer do que permanecer sobrevivendo ao sub-humano do oposto.

Ainda que nunca tendo tido envolvimento e sociedade com qualquer submundo, sendo do ocultismo e crimes (como prova, nunca disso me beneficiei) este se avoluma ao me cercar de seu charco na busca por impor sua estética infernal de negócios.

Quando você discorda do honesto este oferece explicações, ao hipócrita ameaças e acusações. Nisso conhecemos a diferença entre o ideólogo extremista ao contrário, apenas aqueles os quais não toleram a tolerância aos direitos alheios não devem ser tolerados. Mas para estes inverter causalidade é prova da culpa da vítima, quando é improcedente tanto moral e legalmente. É como por a carroça na frente dos bois e esperar ir a frente.

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terça-feira, 5 de julho de 2022

A Falência da Meritocracia Liberal

Desde a reforma protestante um empurrão importante foi dado ao capitalismo, porém, em particular a permanência ancestral da meritocracia como mãe do capitalismo sob os resquícios tribais e de religiões primitivas. A constituição não é um cardápio para ter preços, porém, a desigualdade do capitalismo é o que faz. A meritocracia é injusta não apenas por todos não terem oportunidades iguais, como uns não terem ao menos oportunidade, e a exemplo dos inválidos não podem nem se esforçar em tais supostas oportunidades. Similarmente de pouco importa haver oportunidades se o seu esforço for ilícito ou para algo ilícito, como a oportunidade ao crime, o ato de construir em esforço e investimento um bordel para exploração sexual não prova que o crime seja justificativa ao merecimento ou para explorar sexualmente alheios, tanto quanto o trabalho exaustivo de subordinados a ganhar muito menos do que o patrão que basicamente apenas administra e manda. Ou talvez a escravidão por dívida em canaviais donde sob condições insalubres de acomodamentos e psicologicamente estes nem ao menos consegue se pagar. Ou o esforço de nordestinos e africanos que precisam caminhar quilômetros apenas para conseguir um balde d'água, ou os trabalhos em fazendas de cacau donde crianças carregam sacas diariamente a trocos de miséria. 

A lógica permeia todo universo no porque das leis físicas mesmo ante a randômica aparente da aleatória, todavia discernimos o ato duma pedra rolar num deslizamento por fatores que geográfica e clinicamente isto favoreça a uma pessoa puxar o gatilho de uma arma por motivo torpe, contra uma vítima vulnerável. 

Fatos físicos não possuem valores morais, legais ou éticos uma vez que a pedra e a arma de fogo não possuem poder próprio para danos a não ser as circunstâncias por negligência ou intencionalidade, donde nasce a necessidade da filosofia moral e da lei penal que visa para a sociedade fazer o que as leis físicas fazem para o universo, criar padrões de normalidade e previsões casuística. Mesmo a suposição de um Deus advoga o conceito da definição e determinações do que seria pecado, não determinações sobre seu livre-arbítrio. Desse modo similarmente um pecado em si pode não ser penalizado legalmente perante a constituição democrática ainda que muitos dos pecados, como ira, inveja, ganância, luxúria possam levar a crimes consumados em atitudes contra os direitos alheios. 

Disso, tanto como na física a ilógica seria como uma eventualidade aleatória e sua intencionalidade ainda mediante um porquê contra a lógica comum (como das leis e ética), uma vez inexistindo tanto o conceito de amoralidade, e a imoralidade se tratar de um ato apenas contra determinada moral. Todavia, estes atendem sempre uma hierarquia indagativa, do ‘como’, ‘porquê’ e ‘pra quê’. Afinal mesmo um psicopata categorizado na escala máxima de Hare este pode construir meios lógicos a fins torpes e sádicos, ainda que estes sejam em si um motivo ante o fútil dum vício em sua hediondez niilista. Ante isso a maior contribuição contemporânea para filosofia moral fora feita por uma mulher, Anna Arendt, sobre a banalidade do mal sob a abordagem das circunstâncias do nazismo após o fim da Grande Guerra Mundial. Estes que aparentavam serem amáveis as suas esposas e filhos antes eram cruéis com suas vítimas nos campos de extermínio. Isto demonstra não serem meros psicopatas, ainda que ante a torpeza fútil e sádica contra as vítimas ainda hoje choque o mundo. Como explicar?

Assim como a promoção do desenvolvimento tecnológico e tecnocrático se promova através de falsos benefícios a população, sua instrumentação visa fragmentar o classicismo tecnicista em intenções opostas. Vemos o mesmo exemplo da banalidade do mal ao  objetificar em desumanização o ser humano como produto e números substituíveis.

A exemplo do mercado bélico que promove a ideia de autoproteção do cidadão, porém, mesmo quando tira a arma da população apenas alimenta guerras. Essa politicagem niilista sob a fachada altruísta de incidentes atacados apenas nos efeitos visa apenas o benefício corporativista oligarca e autocrático. O liberalismo faz se valer do classicismo de modo manimaníaco.

O esforço liberal de sua meritocracia é uma caixa de Skinner que condiciona pela coerção na esperança ilusória de libertação, antes é um esquema de pirâmide que necessita onerar as vítimas para se valer, progredir através das muletas da servidão alheia. Tal é velada através da opressão e servidão como único propulsor em alavanca de seu poder. Ainda que o experimento marxista em sua plenitude apresente falhas, as detecções dos problemas vistos no liberalismos são produzidos deliberadamente ao contrário das circunstâncias limitadoras ou desvios do socialismo o qual os fins nunca foram plenamente atingidos em razão disso. Como a globalização traça relações socialmente negativamente tempestuosas na centralização de poder aos países satélites pelo subdesenvolvimento, o progresso é exclusivo e apenas as crises compartilhadas ao conectar apenas todos os problemas políticos, sociais, e criminais, tornando todos estes entre cúmplices, vítimas ou reféns. 

Obviamente que há liberais que fizeram conquistas e progressos honestos, o sistema edificado pelo liberalismo favorece a desigualdade e injustiça.

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segunda-feira, 4 de julho de 2022

Pós-graduações em Letras e Filologia

A seguir público as duas pós-graduações lato sensu que concluí como especializações a minha graduação. Tais voltadas a letras e filologia servem aos estudos tanto quanto produção literária de ficção e não ficção no âmbito do Filoversismo. A seguir os diplomas, clique para amplia-los.











domingo, 3 de julho de 2022

Do Prazer e Bem-estar ao Sofrimento

Há diferença entre prazer e bem-estar. Um sensorial e imediato aos instintos e desejos não tem a proporção dos ditos altos prazeres. Se na melancolia saudosista temos demonstrada a tristeza associada as memórias, por sua vez o amor afetivo é a evolução da empatia e atração, na construção social das relações ao contrário da atração sexual, mera empatia ou mesmo da paixão momentânea. Por isto determinados sentimentos apenas são possíveis de modo relacionais, de maneira que sua completude apenas se perfaz ante o consenso e mútuo construído com tempo de relacionamento e intimidade. Toda a potencialidade do ser humano assim apenas pode ser exercida em sociedade explicando o motivo pelo qual a solidão é literalmente a raiz de doenças. Se a construção da identidade social vem das relações culturais a construção de sentimentos ocorrem pelas relações sociais. Na solitude o homem conhece a si mesmo, nas relações a si mesmo através de alheios.

O vício como oposto é o prazer desordenado em excessos quando o contrário, o bem-estar (sendo ponderado) apresenta harmonia e equilíbrio as necessidades naturais supridas de modo saudável em antagonismo do vício. Os prazeres quando não associados em simbiótica harmonia dentre o interior e exterior (sincronizados em sintonia dentre subjetividade e objetividade do mundo material) em desequilíbrios como os vícios, tanto quanto os traumas. Da destituição do bem-estar como do bem comum vemos que das desarmonias toda sorte de males se nutrem, sendo sociais, físicos ou mentais. O vício é a radicalização do prazer em desigualdade ante as necessidades naturais e o ambiente, como a ganância, inveja, ódio e afins. Ainda que inicialmente na mente subjetivada vem a se tornar fato por atos, muitas vezes não por menos dolosos.

O sofrimento assim como um efeito duma desordem, ainda que não tendo início sempre no prazer extremo por vícios, pode provoca-los, tanto quanto ter nele origem. No entanto, estas origens estão em más conexões relacionais.

Falhas de relações dentre o autoconhecimento e o exterior por dissincronidades de diferenças levam a rupturas de desigualdade donde o indivíduo por inadequação a si mesmo ao exterior passa estabelecer uma relação de extrojeção subvertida com o exterior. Disto o sadismo na satisfação do que odeia, sob viés sexual ou meramente de sujeição, advém não apenas de vícios licenciosos, mas de tais relações não alinhadas do exterior objetivo ante o interior da própria subjetividade. O sujeito assim do qual tendo impulsos homossexuais, por exemplo, ao não serem assumidos em ódio a si mesmo passa a ser projetados sobre seu oposto, na figura da mulher, ao estabelecer uma relação de prazer pelo medo ou sofrimento. Ele passa a ter sua interioridade castigada através de alheios, e mesmo a exemplo da homofobia, donde casos mais extremos demonstram sua comprovação com estupro de gays, uma forma de julgar aquilo punível em si mesmo através de alheios.

Enquanto a vítima é introjetada por traumas advindos da exterioridade objetiva do mundo material, a relação parasítica ou predatória assim passa a ser estabelecida em dicotomias, ao buscar nos impulsos primitivos de sobrevivência o escape a própria incompreensão, inadequação ou não aceitação de si mesmo, pois o autoconhecimento apenas advém da aceitação de si mesmo, não apenas o self-sapient. Ainda que este sujeito adoecido possa mudar a si mesmo, ao tornar isto em vício sobre a sujeição de alheios, o mero ato da negação dessa condição impossibilita a mudança ou aceitação.

Disso modos deformados de repressão dos desejos ou seus excessos são desequilíbrios que podem escapar ao autoconhecimento e autocontrole, que sempre se projetam em dissincronia ao exterior. Ora, se a maioria das desordens mentais advém da alienação informacional entre interior e exterior, a repressão das informações sensíveis da volições e desejos é uma destas. Similarmente, do mesmo modo que o efeito nocebo faz quando tentam determinar o que é uma pessoa, esta ao acreditar ser doente mental a doença assim pode ser possivelmente atestada em sua dissimulação inconsciente, na subjetividade em passividade ao exterior. A maioria dos traços socialmente esquizoides na sociedade advém disto, ainda que sem agravos de conduta moral e ética, a exemplo da timidez, alude como claro exemplo.

Assim, caso a violação da integridade física seja o estupro, os equivalentes mentais aos traumas físicos se perfazem a mente através de abusos psicológicos como um equivalente ao estupro da mente. Obviamente que as relações mentais como sociais não são sexuais, porém, todo abuso por ser penetrante a integridade assim se demonstra ao contrário do enclavinhar, como o arrombar ou invadir.

O trauma é em si uma introjeção forçosa a mente da vítima sendo condicionada por sofrimentos psíquicos por circunstâncias ou indivíduos nocivos e tóxicos. 

Ora, o diálogo está para relações informacionais sociais entre mentes, sendo a discussão sua desavença. O fato é que a busca da sujeição da mente alheia vai contra o mútuo de qualquer conversa espontâneo ao aspirar um monólogo heterogêneo como equivalente relacional do indivíduo do etnocentrismo, sendo este por meio de apelos falaciosos, sofismas suas retóricas recorrem a ameaças, chantagens ou calúnias.

Trecho do livro "Processos Informacionais Psicológicos" de minha autoria.

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sábado, 2 de julho de 2022

Conto 'A Rainha do Abismo'



Havíamos nos perdido da esquadra de Cristovão Colombo há três dias. Naquele Mar do Medo ao qual Colombo designou como Sargaços, uma nevoa espessa ao amanhecer fizeram-vos desaparecer sob as brumas de águas incógnitas e aparentemente amaldiçoadas. Algas que batizaram o mar flutuavam sinalizando as deficitárias correntes marinhas, as noites úmidas e quentes ficavam encobertas para o uso das estrelas como guias, estávamos entregues a própria sorte, pois nem o astrolábio ou sextante serviam de algo por não sairmos do lugar.

E desse estupor sufocante duma calmaria sem fim estacou nossa tripulação que ante as severidades prolongadas das navegações até aqui, agora se tornava desventura ante o esgotamento sistemático de viveres e mantimentos a homens cada vez mais assustados, estressados e famintos. Não chovia, e a ausência de ventos tornava sob o Sol os dias escaldantes, donde entre o ruborizar dois homens tiveram mal súbito ante a sede e calor intensos. Seus corpos se tornavam refeição de tubarões que agora rodeava a embarcação como nossa única fonte de alimento, ou nossos próprios devoradores. Não bastando a ausência das mulheres de meus homens por meses, mesmo rumores de um tripulante ter sido estuprado ressoou no galeão. O tabu impediam as palavras serem ditas abertamente, mas o clima pesado aumentava as tensões levando a desentendimentos cada vez mais frequentes entre os homens.

Nem mesmo as preces pareciam nos livrar da maldição que recaia sobre nós entregando-nos ao malogrado das privações como caminho deletério aos pecados e morte, pois mesmo eu como imediato temia sermos amotinados contra o capitão.

– Ouça, imediato Ruan Viegas, agora que as névoas se adensaram ruídos como cantos! Parecem sereias tentando nos seduzir aos encantos fatais.

– Largue essa besteira marujo! – Comentei o reprendendo com firmeza sabendo sermos o paradigma restante de segurança a tripulação. – O cansaço mexe com nossa cabeça e prega peças como ilusões de ótica ou auditivas. – Completei para tenta-lo acalmar.

– Imediato, ouvi rumores de que mesmo outros navegantes viram luzes nos céus como fadas! – Comentou o cozinheiro tirando o chapéu suado e sujo ao abrir a boca com dentes sujos. A tripulação fedia por não poder tomar banho por razões óbvias.

– Não temam homens! Fiquem firmes! Logo o vento virá a nos tirar daqui!

Mesmo que tentando animá-los ante as circunstâncias as dúvidas, em segredo, me devoraram as entranhas como a fome ante a falta de variedade de alimentos. Carne de tubarão não rendia os melhores pratos ante exaustão duma tripulação que minguava as esperanças. E os relatos se avolumaram ao cair da noite ante o discernir vago de vultos nas águas e névoas, alimentando os anseios temerários dos tripulantes de que algo funesto nos cercava num ardil e sítio. Fora quando no breu da madrugada ouvi prantos dum homem que clamava em línguas profanas palavras intraduzíveis.

Abri a porta de madeira de meus aposentos, passando perto ao do capitão que agora estava febril e delirante. Meus passos de bota no assoalho de madeira fizeram se sentir quando os ruídos a estibordo cessaram. Parei de súbito, igualmente, ao ouvir o silêncio irrompido pelo ranger das madeiras da embarcação aos embalos hipnóticos do mar. Fora quando vi um vulto esquálido irromper dentre as trêmulas luzes de lampião, era o oficial que carregava algo na mão.

Corri atrás por desconfiar estranhamente dele ser o único a não subir ao convém a luz do dia, optando estranhamente ficar nos porões abafados onde os últimos escravos pereciam estranhamente pálidos.

– Paolo! Paolo! – Sussurrei carregando meu lampião que desvelava rostos cheios de bolhas e peles escamando dos marujos com olhos fundos.

Fora quando um deles me puxou pela mão e a segurando falou.

– Ele despertou algo das trevas e por isso tem reservas de medo ante o desvelar da luz. Um conhecimento profano o qual o saber é capaz de corromper a mente e apenas sob sua língua funesta suas palavras agourentas encarnam sofrimento e insanidade.

Assustado puxei meu braço num repente. O repreendi com severidade de penalizações ante os agouros proferidos que acentuassem ainda mais o clima de medo e expectação da tripulação. Porém, outro homem se somou a ele e falou.

– Deus tenha piedade de nós, imediato Ruan. Algo embarcou nesse Galeão junto a isto e os pobres escravos serviram de alimento. Que Deus tenha piedade desses crioulos.

– Vou penalizar o oficial pelo seu desleixo com eles! Porém, não invente histórias!

Proferi tais palavras estando mesmo eu abalado pelas palavras dele, ainda ante a compostura. Soube que os últimos escravos haviam morrido, porém, segundo o oficial por desidratação  ao calor. No entanto, ao chegar e encontrar o último sem vida notei seu corpo demasiado emagrecido e pálido, como se o seu sangue tivesse sido drenado. Examinei seu corpo com acuidade e severa tristeza ante aquele pobre diabo o qual o único erro que cometeu na vida fora nascer. Odiava aquilo, ainda que meu pai sacerdote comprasse os que eram catequisados para servirem na igreja, a cultura normativa da escravidão era senso comum a toda cultura.

– Este havia deixado sua esposa grávida na senzala para embarcar na esquadra, senhor. – Murmurou um marujo ao me ver. – Não basta as privações, esse parece que teve que carregar os crimes de seu oficial que nem mesmo é capaz de fazê-lo sozinho sem vitimar alheios por seus próprios pecados.

– Do que estão falando? – Perguntei espantado.

– Nossos temores nascem aqui e refletem lá fora. Tentamos alertar ao capitão, mas o oficial nos desacreditou e um dos nossos a delatar agora virou comida de tubarão. Algo cruel está aqui trazendo todos azares sobre nós!

– Por Deus! Não somos corsários! Por qual motivo não me falaram diretamente?

– A rainha das trevas aqui está! Guardiã de corruptores saberes! – Respondeu o homem fitando para baixo em baixa estima, sem esperanças.

Antes que eu lhe desse a réplica me virei e vi um rosto alvo de tão pálido, era a face do oficial. Ele estava parado a minha frente com um sorriso sinistro em tons amarelados de seus dentes podres.

Percebi então que não estava apenas aparentemente cercado por algo funesto que se ocultava a espreita para devorar a tripulação, porém a medida que viam o tempo passar e os mantimentos acabarem, os levavam ao desespero, sem saber onde estavam ou para onde irão, como um pesadelo sem fim. Antes o mal estava no coração da própria embarcação do qual do fundo de minha alma agora sabia. Fomos infectados por aquela presença sinistra, como por um germe contra a fé.

O homem me acertou com um cajado e caí desacordado no chão. Ao recobrar a consciência minutos depois vi o corpo do marujo, aquele que havia falado, agora nos braços duma mulher tenebrosa de vestido cinza. Ela tinha a pele suja como suas vestes e seus olhos luziam os clamores das chamas do inferno. Quando o oficial moveu o lampião a vi melhor notando seu vestido ser vermelho e adornada por colares de pérolas enquanto se saciava num beijo fatal, dado por dentes no pescoço do agora cadavérico defunto que fitava o chão  com olhos vazios de vida. Ela era caucasiana e rosnando pra mim escorreu o sangue de sua vítima em sua boca.

– Sou a esposa de Osak, o eterno, havia fundado uma colônia de vampiros num deserto subsaariano, meu amado cansou de ser faraó tanto quanto rei babilônio, todavia suas dificuldades sexuais que requerem necessidades mais específicas me liberou a expandir seus domínios.

– Um demônio? Por Deus! – Vociferei assustado fazendo o sinal da cruz com os dedos e clamando a Deus pelo perdão de meus pecados.

Porém, ela escarneceu daquilo, pois para ela pouco importava o nome a ela dado. Só que ela necessitava do sofrimento e sangue como oferta de vidas sem culpa como alimento de sua eternidade entre a vida e morte. Tentei interpelar seu nome quando ela se levantava dizendo palavras profanas que não era capaz de traduzir em suas artes de obscuras manipulações. Detentora de um saber o qual o poder corrompe consciências e as cauterizando ensinava reproduzir os males e desigualdades sobre os demais, e a medida que tais palavras penetravam minha mente entorpecia meus pensamentos numa profusão mágica duma multiplicidade de palavras conhecidas, similares. Pareciam muitas coisas, parecia nada, era um eco do abismo a ressoar o discurso da dúvida como sua alçada.

– Qual é seu nome? Quem é você?

– Tive muitos nomes ao longo de eras e civilizações, sendo Sekhmet ou outros, mas hoje prefiro que me chame de Thilil.

Ela de modo hipnótico me guiou por dentre os homens de olhos fixados em temerários brilhos, e subindo ao convém eu parecia embebido num transe de quase possessão. Estava num quase estado catatônico, preso no meu  próprio corpo e agora no convém observava o inevitável sem poder ter domínio sobre mim próprio, por não mais ter poder sobre meu corpo como os escravos no porão. 

Então, o nevoeiro parecia se mover em alucinações de tentáculos vindos do mar quando vi os tentáculos erguer das algas asas de ferro de um grande pássaro metálico. Ela ria zombeteira dizendo que sua profana língua destruía as fronteiras da razão e sanidade para abri-las apenas de modo profano a profecias bizarras da desesperança. Porém, num espasmo saltei meu braço sobre o lampião do oficial que caindo sobre o barril de óleo se incendiou. Saberia que iria morrer, mas levaria aquela eterna as profundezas para reinar como a rainha do abismo que lhe apraz. Ela vociferou em agonia, pois temia a água salina como a luz do dia em sua pele maldita. Seus cabelos embolados tremiam com o sacolejar de suas formas esquálidas, empoladas de sangrias pelos longos períodos que sem sangue bebia de si mesma. Logo, as chamas tomaram a embarcação sob as lamurias da tripulação que jazia em agonia. O que restou da fogueira flutuante fora visto ao longe pela esquadra de Colombo, porém, ao retornar nada mais encontrou a não ser um caderno com anotações em hierografos que pareciam anteceder ao Egito. Dentre os papéis a carta do último letrado a viver até ser comido por tubarões.

"Aqui jaz o barco que conduziu a rainha das trevas ao império que lhe apraz, a do abismo."

Conto originalmente da antologoa 'Verboversos' de William Fontana.

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sexta-feira, 1 de julho de 2022

Testemunhos Sobrenaturais

Os relatos aqui descritos pelo autor ocorreram décadas atrás não havendo provas materiais ou audiovisuais ante a limitada tecnologia da época. Desse modo cabe ao leitor decidir por acreditar ou não, ainda que mediante alguns casos outras testemunhas presenciaram, ou participaram. Sendo parte do que motivou suas buscas e convicções, acreditando que isto mesmo possa explicar algumas habilidades das quais não ousas usar para se promover, ainda que leve a crer em coisas além dos parcos poderes e ciências humanas, mesmo que carente de provas conclusivas de sua procedência. A maior parte destes relatos estão na autobiografia 'Confissões de uma Mente Autista', do qual aqui apenas testemunhos abreviados. Uma vez que a maioria deles foram nas décadas de 1980 e 1990, não há modo de precisar data exata pelo fato de na ocasião o autor ainda estar entre a infância e adolescência.

Dentre os casos um do qual ficava periodicamente enfermo com dores abdominais inexplicáveis, mesmo o médico da família não era capaz de determinar pelos sintomas a causa ou a doença que me tomava de dores lancinantes. Aquilo me levava a parar de comer e ir no banheiro ao me limitar me contorcer na cama. Todavia, na ocasião em que mais intenso isto ocorreu um grupo de irmãs oraram e fiquei bom de modo igual a tal súbito e inexplicável quando fiquei acamado. Vi a observar no momento mesmo a porta da cozinha que estaria vazia abrir-se e fechar-se sozinha. Sem nem conseguir antes me levantar o bem-estar repentino me fez ir pessoalmente ao cômodo e verificar. Ainda que possa ter havido alguém que lá coincidentemente se escondia, os outros elementos nunca foram explicados, pois nunca mais tive a doença, me levando a crer ser algum tipo de possessão.

Durante a mesma época aconteciam demasiadas coincidências de sempre queimar o fusível do micro-ondas na minha presença, o mais incrível era que sentia nuances que iria acontecer ou não, sensações intraduzíveis por palavras. Similarmente uma certa vez uma ocorrência bizarra durante a madrugada fez um copo de vidro (de geleia de mocotó) partir-se perfeitamente ao meio, estando parado no escorredor de talheres com o apartamento de janelas fechadas. A hipótese mais plausível seria uma súbita variação térmica, o que ainda assim parecia altamente improvável. 

Curiosamente sempre tive uma relação muito fácil com a natureza, tendo pássaros como um periquito chamado azulzinho que literalmente deitava de pernas pro ar na minha mão quando ia o pegar. Tal padrão curiosamente observo coincidentemente ou não nas trilhas que fazia durante a juventude, sempre sendo a pessoa que encontrava mais animais silvestres, mesmo os mais exóticos como o macaco barbado em Ilha Grande.

Todavia, outro caso marcante fora com um inseto. Lembro-me ainda hoje com clareza de quando levavam minha irmã para pegar o transporte para a escola na Piraquara, e ficava sozinho no apartamento. Era quando todo dia, naquele mesmo horário, entrava um maribondo que me perseguia levando-me ao pânico e por ser criança até mesmo uma vez me urinei da janela gritando por socorro. O fato é que diziam que era coisa da minha imaginação, pois quando voltava este sempre ia embora. Apenas no dia em que falaram para ter coragem e enfrentar que este nunca mais voltou ao fazê-lo.

Durante a infância ainda observava uma série de acontecimentos bizarros no morro do São Cosme, em Realengo, onde morava, num prédio. De militares jogando caixas suspeitas, a aparentes treinamentos com gases entre outras coisas. Porém, o mais marcante dos acontecimentos fora o mais inexplicável deles, fitei sobre o morro um objeto âmbar que muito anterior aos drones fazia evoluções nos céus em movimentos súbitos e agudos. Movimentos impassíveis para qualquer aeronave que ainda hoje tenha conhecido. Tanto quanto um estranho sinal no céu do qual eu, e os demais parentes fitamos da janela da área, sobre um morro aonde algum período antes (ou depois) a queda de um avião búfalo da aeronáutica quase ocorreu após se desviar num rasante sobre a escola que estava. Era um arco cor âmbar como quase fogo, este que se partia em três levando dois pontos a sumirem até que o ponto restante recriasse o arco novamente e assim o ciclo vinha a se repetir. Pensava em vários significados para aquilo, porém, nenhuma explicação científica conhecida tive até hoje. Tanto que tais coisas me levaram a um ceticismo atual por sempre buscar algo similar e muito raramente ter notícia de algo genuinamente sem explicação. O mais estranho são as vezes em que quase morri ou fui sequestrado (desde a infância) e nunca se consumou, o que me leva a crer em destino e milagres, ainda que com muitas reservas hoje, ante tantos charlatões e corruptos.

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