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sábado, 9 de outubro de 2021

A Cultura da Corrupção Como Dominação Autocrática

A falta de transparência hoje demonstra recantos escuros onde o Estado e a história não adentrou. Apenas a escuridão penetra na ausência da luz, por vezes rompendo privacidades impondo secretismo clandestino. A linha que separa o discernimento dentre os dois corre risco.

A vigilância panóptica do totalitarismo não admite privacidade, mas também o reconhecimento público e fama. A inversão dos direitos transformam a privacidade em secretismo e a constitucionalidade oficial um crime abstrato. A tarja preta da censura é o amargo remédio que apenas alimenta o vício da ilicitude de poder.

A exposição destas vítimas no jogo subjetivo das ambiguidades e obscuridades em tempo integral tornam a própria vida destas igualmente abstratas. Disso uma variável da estruturação da interdependência edificada verticalmente ao abnegar a individualidade usando dos comparativismos e desigualdade como afirmação.

Quando o predomínio demagógico de sofismas e ambiguidades dominam em apelos falaciosos como prerrogativas reprodutivas a erros vemos a franca promoção da cultura da corrupção que contra a lei e fatos por inversão contraditória ao se achar no direito de condenar vítimas por seu ódio discriminatório, calúnias e ganância. Sempre repetirei que movimentos análogos tiveram precursores no nazismo ao martelar uma mudança no pensamento da consciência coletiva da população através de tais retóricas que tem por cola de adesão ao ódio e medo por sempre sobrepor a razão, inteligência e discernimento. 

Esses psicopatas e narcisistas que por relativismos e falácias se propõe ataques a constituição e democracia provam por um estado de exceção um totalitarismo de quem vivem num mundo paralelo onde a medida que acham terem direito ao cometerem crimes, pensam que pode julgar e condenar a vítima exigindo respeito.

Apenas num mundo de fantasia paralelo vivem estes alienados da lei e fatos objetivos ainda que a pretexto do submundo deles como sendo a realidade geral, a motivo de empurrar os demais a esse charco por um reprodutivismo sobrevivencialista do crime. Ignorando que o poder democrático vem do povo e o Estado nos serve, usam contraditórios argumentos da falácia da generalização sem qualquer pesquisa qualificada como científica a justificar iguais sofismas de ditaduras da maioria como imposição ao crime contra quem apenas o sofre. A institucionalidade é berrante e distópica a justificar a crise de valores e de credibilidade em entidades e instituições.

O padrão é comum a elites que julgam que o direito comum não bastam para lhes atender suas necessidades básicas, mas como monstros possuem privilégios por serem "portadores de necessidades hediondas" sendo deficientes de caráter em sua senilidade moral ao negar as necessidades dos direitos individuais constitucionais a quem convém. Caso o direito destes não bastam as suas necessidades é por serem incapazes, incompetentes e inaptos ao convívio, ao contrário de quem não tendo direitos e oportunidade equitativas garantidas pelo governo é obrigado cometer crimes para sobreviver. Os que dizem que não podemos fazer o que queremos em nossos direitos sempre serão os que acham que os desejos viciados de estupro, torturar, fraude e morte são desejos de direito deles a serem cumpridos sobre nós, pois "precisa", "merece" ou é "necessario".

A ausência de contexto nivela como iguais quaisquer graus de gravidade ou atenuante, tanto como a ausência de responsabilidade moral e histórica apenas evoca o etnocentrismo das mentiras dos dominantes elitistas ainda que a pretexto contrário. Não por menos a cultura da corrupção é amiga-irmã de outros males pandêmicos como a cultura do estupro como um pró-crime em estados velados de exceção, mas sendo crimes mesmo em estados de guerra.

Fontes:

Brasil e sua cultura da corrupção - SBP (Sociedade Brasileira de Psicologia).

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

As Fronteiras do Horizonte de Realidade e Os Padrões de Regularidade

Assim como muitos atribuem a mágica e Deus ao desconhecido, a medida que o conhecimento mensurável avança tais presunções recuam. Não se trata da negação de ambos, porém a definição do horizonte de realidade é definida pelo tangível e mensurável de modo que o oposto pode apenas ser intuído pela metafísica. Como sabemos physis, do grego, sendo a raiz do termo física, designa a natureza conhecida, tangível. Logo, o que está além desse horizonte físico da realidade assumimos a presunção metafísica ou protofísica a medida com que esse horizonte de realidade é descortinado. Similarmente a eminência de um novo recorte científico do reducionismo ou o surgimento de uma protociência ao contrário de que a disciplina do que não pode ser verificado, teologia ou magia fica na esfera metafísica.

O horizonte de realidade tangível tem haver não apenas com os limites do conhecimento humano e sua percepção do universo, mas as fronteitas e limites do próprio universo. Assim como a um limite de precisão de probabilidades de previsão do clima o mesmo também abrange capacidades mensuráveis e preditivas das ciências, sendo na biologia, espaço, tempo, relatividade ou mecânica quântica.

Tal horizonte de eventos, todavia apenas ganha formas e definições da matéria a medida com que passa a ser descoberto e descortinado o que no processo leva a uma ressignificação dos conceitos meramente especulativos, metafísicos ou míticos do além horizonte de realidade, pois metafísica decai a especulação e mítica quando persistindo ao ultrapassar essa cortina dos limites da realidade através de fatos capitalizados passando a se tornar uma potencial negação. Uma vez sabendo que esses mitos nascem de imagens borradas desse além horizonte passa agir nas mentes análogas a caverna de Platão ao serem preenchidas por volições, anseios fóbicos e dúvidas angustiantes persistentes ao darem passos atrás a legitimidade do conhecimento que tem começo nas mesmas dúvidas. Os mitos são imprinting dessas sombras fronteiriças aos horizontes de realidade mais debruçadas ao interior inconsciente das volições do que em conjecturas de plausibilidade exterior. Logo, a negação como resiliência da ignorância através do fobosófico ao contrário da fé ou esperança.

O horizonte de realidade aparenta uma ilusão de descontinuidade ante a ruptura do saber/não saber, tanto como das fronteiras entre mente interior e corpo exterior (subjetividade e objetividade, razão e volição) de modo que apenas podem ser exprimidos dentro dos limites dimensionais do universo, sendo estes espacial ou transtemporal. Assim como estamos detidos no horizonte de realidade de um presente, assim presumimos que a exemplo dos projetos, planos, sonhos estão no além agora, assim distantes da natureza material, tanto como o corpo definido dentro do âmbito do universo apenas no presente enquanto a mente vai além corpo. Todavia estes não são especulações meramente, ou mitos, mas racionalizações mediante as condições presentes no agora.

Assim, como a fé, este não representa uma negação, pois não fora verificado de modo negativo ao contrário da história e memória que estando fora do horizonte atual de realidade pode ser mensurado por seus rastros tanto como as previsões as possibilidades e probabilidades vindouras o qual a previsão decai a medida com que se afasta. O mesmo dizemos sobre o espaço. Assim como o corpo humano pode existir apenas sob as três dimensões do espaço, o requerimento para estar no universo deve exigir isto, pois ainda que objetos bidimensionais ou hipercubos, estes apenas fomentam similarmente sombras do além horizonte de realidade do universo a exemplo de um fenômeno sobrenatural hipotético. Isso fica atestado nos estados de mecânica quântica onde tais aparentes disparidades são justaposições dos limites dimensionais do universo, fazendo com que as quatro dimensões dele seja uma peneira o qual a película impede adentrar tais formas de modo mensurável. Disso a presunção da permanente metafísica não contraditória a física, tanto como dos itens mencionados.

As sombras persistentes do medo assim pairam entre os limites do saber e não saber como delimitações tanto no espaço do agora como do tempo vindouro, como possibilidade de consumação necrófila.


O mercado do Crime Útil e a organização criminosa

As leis delimitam o alcance do conhecimento desse horizonte de realidade quando firmado em postulados preditivos verificados, o que apenas torna a ciência legitima, isto é, do latim legis, de lei, de modo que apenas a regularidade de imparcialidade supõe o mesmo. Similarmente as leis humanas de determinada sociedade visam não apenas normatizar o comportamento sem limites dentro do direito legal, mas delimitados por seu rompimento donde surge o crime sob a análise dos fatos. A proporção da irregularidade tanto como do caos, reduz a legitimidade tanto como a previsibilidade. Motivo pelo qual o caos não possui lei. O caos é uma ilegitimidade randômica do universo do qual os padrões resistem ante as leis.

Todavia, ainda que perante a prevalência do caos, sob condições propícias estruturas de certa regularidade caótica podem emergir, o mesmo pode ser visto na sociedade humana ainda que sob aspectos de regressão a exemplo do crime. As organizações criminosas se estabelecem pela reunião de elementos sob interesses comuns, porém, conflitantes a sociedade comum, bem comum e suas leis. A ruptura assim é uma representação destoante de conflitos de interesses de sobremodo as leis estabelecidas em comum numa sociedade, motivado num etnocentrismo que ao apresentar tais interesses exacerbam na desigualdade ainda que sob a fachada moralista/legalista. Toda essa ruptura desigual é expressa de modo opressivo/repressivo sendo positivamente (contra o crime) ou negativamente (contra o cidadão/sobrevivente/vítima) que podem ser vistos em regimes ditatoriais, guerras, criminalidade ou revoluções.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Conto 'Ladra Ventos'


Fonte: Google Imagens.

Quem nos defenderá dos que não podemos nos opor ou criticar? Quem julgará ou regulará aqueles ao qual nada obedece e contra a lei se ensoberbece?

Nesse mundo havia um sombrio e tenebroso Império do qual sob os sorrisos na surdina da noite desvelava a face por de trás da máscara da polidez. O imperador era só cortejos e seus súditos apenas sorrisos, quando as palavras bonitas velavam o agouro do oposto enquanto sua esposa, a rainha fitava com olhos cobiçosos terras distantes almejando no coração ser dona de todas riquezas e poderes terrenos. Entre a intensa estiagem a aridez em sua terra se estendeu e por incêndios as florestas carcomeu, enquanto os bons ventos da terra distante apesar de não abater a exploração daquele povo por eles, os fornecia todos viveres e matérias primas, dos talentos as riquezas do solo. Nisso seus olhos cobiçosos mareavam desejando ainda mais dor ao povo sofrido. E no silêncio o mais totalitário dos discursos se estendiam pelas sombras alongando garras sobre suas vítimas sem que se pudessem ter defesa enquanto ela dizia.

– Sobre minha mais alta montanha usurparei esses ventos para romper os maus agouros e as correntes marinhas que nos cerceiam de maior poder.

A maldição sob o ritual tenebroso como uma bruxa funesta passou invocar dor, sofrimento e injustiça. A partir daquele castelo edificado sobre uma mina deixou de dar sua riqueza e virando masmorra ao qual todos que ousavam desafiar o tenebroso Império cinzento que cobiçava o mundo inteiro e jurava misérias e desgraça caso seus mimos não fossem atendidos. Ao sabor sádico de quem espumava (enquanto seu marido usando discursos de altruísmo em palavras aos necessitados) a rainha trabalhava para que terras paradisíacas donde o povo pobre, mas livre e justo se tornassem seus escravos que uma vez massacrados veriam o paraíso se tornar purgatório, e dele o Inferno. 

– Libertis ad infernis, ecce ventus, ad ventus. – Invocava ela em palavras conjuradas com seus olhos vermelhos de ódio como se seu próprio hálito exalasse o enxofre das minas que das vísceras da montanha o qual habitava apenas encontrou o caminho do inferno que libertava.

– Quero sangue e dor, pois desse fedor ou meu perfume! – Vociferava ela de ódio aos ventos na espera dele carregar essas palavras e soprar tais misérias em seus habitantes. – Minha vontade é a lei, e cedo poder a libertar os monstros que criei.

Ao terminar aquelas palavras os monstros que das masmorras tiveram suas almas tragadas foram libertos como os demônios do inferno.

Os ventos das terras distantes se removiam como na tentativa de resistir em serem tragados e por suas atitudes trazer o desequilíbrio do caos a todo mundo alarmado. A ladra ventos roubava os ventos como o destino de muitos, e castigava os bons no frenesi daqueles que os ventos alimentavam o que era bom. E de tanto tornar e tomar os ventos, por inversão castigou os que criavam os ventos bons passando a laurear seus asseclas por malfeitos enquanto na severidade cruel escarnecia das dores e injustiças de pobres vítimas de tais.

A ladra ventos apenas criava monstros para seu advento. Seres que pareciam humanos, mas que jaziam sem alma, restando no invólucro de carne portas do Abismo temperadas pelo ódio do qual o alimento necrófilo era a vitalidade dos bons ao dilacerar seus espíritos entre torturas mil. Eles não faziam amor, mas apenas ódio. Monstros não fazem sexo, cruzam como num atropelamento de quem está em seu caminho, pois eles são o acidente na humanidade, para a humanidade, uma aberração psicológica como quem perante a bíblia deveria estar morto e perante a lei enjaulado.

Porém, não haviam jaulas aqueles monstros os quais apenas nas trevas atacavam, protegidos pelo silêncio e acobertados pela escuridão avançavam consumindo todas as almas que cruzavam em seu vão.

Logo, esse lugar paradisíaco se vê em risco de ter seu destino destruído pelas intempéries tenebrosas da aridez. Até que um intrépido perseguido por ela desenganado ao sofrimento e morte desvelou o segredo do Império do Norte.

Passando a ser conhecida como Rainha dos Ventos Roubados, a bruxa, no entanto, acabava apenas por trazer o caos climático no mundo pelo mero interesse egoísta de monopolizar todo o destino da prosperidade e sucesso pra si as custas de alheios. 

O povo dos ventos, como eram conhecidos, agora definhavam na escassez, pois em sua cultura amena e festiva era alimentada em moinhos de ventos que agora minguava as dores e injustiças para que ela prospere em seu reino de desigualdades e servidão falsamente travestido do contrário.

– Os sopros de vida ela leva por seus batedores acrescido aos ventos, e apenas nos deixa dores. – Comentou o combalido homem do vento por ela desenganado apenas por defender o vento que deles eram malogrado.

Todavia ainda que muito tenha semeado através do vento como as sementes levadas a lavrar as férteis terras, as palavras agourentas da Ladra Ventos havia dado a aridez seus espinhos ao sussurrar desejos dele surrar ao iludido povo do vento, manipulado por seu bafo quente da inanição social. Os ventos agora subvertidos se tornaram mensageiro do engano e infortúnio.

– Temos que matar e promover o crime, dar quem faz o contrário e nosso melhor, afim de aplacar a ira de quem agora tem o cetro dos ventos. – Vociferou um néscio levado pelos ventos do medo e ódio. E o povo vociferou em acordo.

Porém, o povo agora enfurecido no desespero da sobrevivência atacou o homem do vento sem saber que uma tempestade libertaria. O pobre perseguido pela bestialização irracional do ódio num último suspiro libertou um vento que lhe selou seu destino.

De lá a Ladra Ventos gargalhava de todo alarido. Ao ter atendido seu desejo de crime e discórdia via-se como se sua montanha tivesse crescido, pois ela sabia que os bons ventos dele advinha impedindo tragédia maior e uma vez sendo covardemente injustiçado agora libertou apenas o pior. O martírio é uma semente imortal donde germina uma reação ao contrário do suicídio moral e ideológico pela morte moral.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Sinopses dos Melhores Contos do Autor - Parte 2


A seguir algumas das Sinopses dos melhores contos do Autor pelo próprio Autor. A maioria dos contos foram publicados em diversas revistas, sites e antologias dos quais a maioria pode ser acessada nos links na barra lateral direita. Nestes constam a antologia e ano o qual foram originalmente feitos. A maioria deles igualmente estão registrados na Biblioteca Nacional ou registros de obras on line, em blockchain.

As Memórias de Todos Nós (Cronomancer – 2017)
Uma pessoa vivendo num mundo que é o apogeu eclético de todas culturas e ciências percebe estar, na realidade, numa simulação que dura gerações numa nave que vaga no espaço sideral a procura de um novo lar após o fim da Terra. Como modo de manter o que faz alguém humano, as memórias da humanidade.

Temporal Twilight Zone (Chronomicon – 2012)
Ao chegar no que acreditam ser um evento físico desconhecido no centro do universo, os astronautas se veem entre um ardil que cooptou naves de inúmeras civilizações alienígenas num teste de sobreviverem a si mesmos para transpassar um portal além universo.

Inferno de Gelo (Histórias Nousóficas – 2019)
Ao realizar uma expedição no começo do século XX à Antártica, logo perceber que ao encontrem um tesouro este poderá ser sua ruína por algo ancestral terrível.

Ardil Venusiano (Histórias Nousóficas – 2019)
Uma estação em órbita venusiana perde contato levando um grupo de resgate ser encaminhado para perceberem que estes pesquisadores terem sido atacados por uma terrível criatura alienígena que vive na alta atmosfera. Isto torna a operação de resgate na fuga da espécie ao perceberem terem sido apenas usados para isso.

Você Está Condenado! (Devorador de Memórias - 2021)
Um falso amigo ávido de inveja e ódio contra seu colega ao ir entregar uma carta com suas próprias agourentas maldições vê voltar-se a si mesmo ao ser atropelado e ao abrir a carta este perceber que destinou a carta de seus desejos a si próprio.

Universidade do Ódio (Devorador de Memórias -  2021)
Dentro do universo de 'Mil Anos de Escuridão' um jovem pesquisa na maior Universidade da Alemanha Nazista pós-guerra mundial. Nesse lugar onde todas as pseudociências são formalizadas como pesquisas científicas, sem saber o jovem era observado por um grupo de resistência a despeito de sua origem, o que culmina em ser o pivô de uma pandemia de gene specifc que desencadeará o fim de povos de outras étnias e raças.

Manimaníacos (O Mapa dos Sonhos  2021)
Uma seita de fanáticos obsessivos por Mani e que veem em tudo uma obstinação de dicotomias e antagonismos levando a impossibilidade disto ser afirmado contraditoriamente quando um destes falha.

Profecias Paralelas (O Mapa dos Sonhos - 2021)
Quando um cientista conjectura sobre as inverossímeis profecias de uma vidente russa, Baba Vanga, sua auxiliar ao parar num mundo paralelo percebe que nele as profecias dela se tornaram real.

Evangelho do Esquecimento (Mapa dos Sonhos - 2021)
Preso num mundo onde todos dias são iguais um homem descobre, ao encontrar um diário seu, que na realidade todo dia anterior é esquecido numa rotina semanal de sacrifícios e prostituições relatados diariamente por ele ao fim de cada dia e achado, por acaso, todo dia posterior levando-o a relatar seus padrões e diferenças que lhe permitirá descobrir a verdade, um mundo regido por criaturas de preto que a pretexto de uma versão pseudocristã busca esvaziar o ser humano para estes os preencherem.

Filopatia & Patofilia (Mapa dos Sonhos - 2021)
Uma jovem que sofre de uma doença rara que se manifesta ao se apaixonar por alguém encontra o amor de sua vida, um homem que tem paixão por mulheres doentes.

Padrões Primordiais (Mapa dos Sonhos - 2021)
Após o desenvolvimento de uma tecnologia de simulação neural remota como reconstituição da mente de mortos, uma cientista pioneira acessa o cérebro conservado de um homem pré-histórico encontrado no gelo permafort a desvelar um padrão primordial cíclico de apocalipse para descobrir que o mesmo sobrevirá a seus conterrâneos restando apenas suas memórias a ficarem para a posterioridade quando estes ciclos forem vencidos.

Dimensão Vermelha (Mapa dos Sonhos - 2021)
Após Trotsky descobrir um conluio de Stalin com alemães e norte-americanos Lênin manda executa-lo tornando Trotsky seu sucessor elevando a URSS como um quase utopismo do comunismo.

A Ordem do Dragão (Caixa de Histórias – 2019)
Herdeiros do mais antigo hotel do mundo, no Japão, guardam um segredo milenar. A batalha por gerações contra uma ordem que aguarda por milênios o despertar de ovos de dragões guardados num lugar secreto. Ovos que levam gerações para eclodirem nas criaturas que outrora eram apenas lendas.

Adimensional (Cronomancer – 2017)
Quando um objeto senciente entre em contato com a Terra, o fato dele ser mais antigo que o universo desvela um enigma, sendo uma forma de vida feita de cristais de tempo que adveio de um universo onde o tempo transcorre ao contrário torna sua perspectiva temporal espelhada e capaz de armazenar memórias de inúmeras civilizações. No entanto, a busca dessa entidade é criar as condições para que um evento leve-o de volta a origem de seu universo antes colapsado, coisas sem aparente relação direta.

A Hora Proibida (Mapa dos Sonhos - 2021)
Ao investigarem uma série de incidentes misteriosos numa ilha remota um grupo de cientistas vão pesquisar relatos de seres míticos e quiméricos para perceber que com um achado que reescreve a biologia levará estes a uma longa noite.

Quinta-feira da Eternidade (Devorador de Memórias - 2021)
Ao ter a casa invadida um militar reformado mal sabe que o invasor faz parte de uma trama cíclica e paradoxal decorrente de um experimento científico escuso realizado na base militar onde mora, levando-o a punição de sofrer os mesmos males repetidamente.

Um Curto Conto de Uma Pequena Revolução (Cronomancer - 2017)
Num futuro quando um experimento de nanotecnologia ganha vida própria e sai de controle, um dos cientistas do experimento passa a viajar o mundo ensinando procedimentos de segurança sem saber que ele mesmo é um vetor.

A Ilha do Demônio (Caixa de Histórias – 2019)
Uma ilha remota e desconhecida a beira o colapso é descoberta. Sendo um cemitério de viajantes de muitas outras civilizações ao longo dos séculos ela ficou conhecida como um distante rumor lendário de uma ilha maldita e por isso chamada ilha de demônio. Todavia estes expedicionários consumará ela como deletéria lenda ao tentar resgatar os náufragos ao descobrir uma tecnologia de uma civilização ancestral que ao ser acionada dará fim a ela, tornando seus relatos devaneios ensandecidos de marinheiros.

Corrente do Mal (Histórias Nousóficas – 2019)
Quando um jovem casado retorna da farra com amigos e amantes tarde da noite descobre um homem moribundo. Dizendo-se arrependido de ser um dos mentores de um projeto social lhe entrega um livro ao estar ferido de morte. Livro este que mostra um ardiloso plano de uma corrente do mal afim de destruir a sociedade e inclui sem saber suas próprias traições entre falcatruas alheias.

O Dia da Caçada (Verbogonia – 2020)
Numa sociedade que todos os anos separam para digladiar-se cidadãos que não cumpriram cotas equilibradas de 'males' e 'bens', uma jovem, no entanto, poderá mudar isso ao reconhecer que um de seus opositores ao ter sido lá jogado por não fazer males era seu amigo de infância. O ato de pelo amor não aceitarem lutarem e afligirem violência poderá se tornar viral na população outrora condicionada ao 'pão e circo'.

Consequências Anormais (Histórias Nousóficas – 2019)
Após perder contato com uma base de mineração num asteroide do sistema solar, uma expedição ao ser encaminhada percebe se tratar de uma mortalidade provocada por uma espécie alienígena que sendo filhote ainda não controlava bem seu poder.

O Império de Tendor (Histórias Nousóficas – 2019)
Um vórtice leva a uma desventura ao descobrirem que não existem apenas dimensões de espaço dentro do próprio universo, mas todo um império no tempo entre tempos, um Império distópico chamado Tendor, onde um oriundo de nosso mundo de tempo acelerado poderá ser salvador.

O Elixir de Kairos (Mapa dos Sonhos - 2021)
Com o advento das viagens no tempo muitos mistérios históricos foram revelados e resolvidos na humanidade a salvo um: um misterioso líquido de viscosidade zero e com propriedades supercondutoras e quânticas em condições ambientes. Sendo capaz de retroceder memórias genéticas a áreas os quais as viagens no tempo não atingem, estes percebem haverem intervenções de viajantes do tempo mais avançados e doutras dimensões ainda mais evoluídas.

Zênites do Destino (Mapa dos Sonhos - 2021)
Após perder sua assistente no portal dimensional, o cronocientista Dr.Octavios desenvolve uma tecnologia de moto perpétuo que, no entanto, afeta a randômica e caos no mundo. Todavia este parece dar lugar a um fenômeno que justamente pela manipulação randômica converge o caos a padrões inteligentes como uma teofania. Como vórtice leva este a uma expedição que levará ao seu oposto ao se depararem num mundo distante onde a civilização a beira do hecatombe idólatra o que irá destrui-los, um buraco negro.

Sodomiquéia (Mapa dos Sonhos - 2021)
Após um governo global despótico tomar tudo com o fim da III Grande Guerra Mundial alguns sobreviventes rebeldes ao serem cercados veem sua oportunidade de ouro quando viajantes misteriosos surgem com uma tecnologia desconhecida que lhes dará a vantagem de vencê-los, uma máquina do tempo que ao contemplar o passado longínquo pensando ser o futuro deles, era a cidade que inspirou os totalitários de seu mundo. Porém, vence-los em seu tempo levará a um imprevisto efeito colateral, levar os então dominantes fugirem ao passado para fundar a Sodoma original.

Prisão dos Demônios (Mapa dos Sonhos - 2021)
Quando uma ciência se tornou capaz de mensurar a influência de seres incorpóreos no comportamento humano, os chamados demônios inascidos foram finalmente derrotados e presos numa prisão. Porém, quando mil anos após o líder desses, Luxiel, foge pode por em risco toda a humanidade novamente.

A Hora da Escuridão (Mapa dos Sonhos - 2021)
Após acharem um sítio arqueológico que seria a antiga Sodoma, dr.Viktor percebe estranhos fenômenos físicos levando-os a descoberta que dentre o culto de violência sexual ecos do passado eram sentidos por uma tecnologia doutro tempo.

Evangelho da Insanidade (Mapa dos Sonhos - 2021)
Após encontrar um misterioso texto na casa de um idoso sem memória, ao decifrar seus enigmas que aparentam ter relações com Lovecraft e atrocidades, desvelará a variável de um evangelho de Luxiel, algo capaz de enlouquecer a humanidade, o Evangelho da Insanidade.

Testemunhas de Baal (Mapa dos Sonhos - 2021)
Para cortarem caminho de volta a Terra Santa, um grupo de templários ignora os avisos de camponeses e adentra uma terra agourenta donde lendas dizem que poucos retornaram incólumes. Uma vez lá eles serão obrigados a se corromperem para sobreviver e levar mandamentos do inferno que alterarão para sempre a cavalaria de Cristo.

Berço de Monstro (Mapa dos Sonhos - 2021)
Numa masmorra que redimensiona homens em monstros ao reprograma-los sob um treinamento desumanizador, um destes ao descobrir o passado daquele lugar vê sua chance de redenção ao destruir aquele berço de monstros que por atrocidades levou aquele mundo a um desvio distópico.

A Droga da Maldade (Verbogonia – 2020)
Após uma pequena população de uma cidade do interior surtar levando-a a um frenesi de loucura coletiva e crimes, um policial se une a outros para resistir numa delegacia sem saber que tudo fazia parte de um experimento secreto do governo através de uma droga capaz de corromper a integridade mental e da consciência. Porém, quando questionam que ele provocou aquilo ele se pergunta se também estaria sob o efeito da droga ou seria manipulação.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

A Ideologia Falsificada da Falsidade Ideológica

Há piratas que mudam de navio, mudam a bandeira, mas continuam sendo piratas, a falsa bandeira é antes e depois. É como um paradoxo de Teseu ao contrário, mas muda-se tudo, muda-se nada. Alma suja não se lava. A rapina está no espírito, a caveira e ossos sob a máscara, pois as vezes os ratos abandonam o navio para outro habitar, apenas inventam um capitão para com ele antes afundar. 


Há quem diga que em terra de cego quem tem olho é rei, mas quem enxerga isso como todos visionários pelos reacionários são crucificados, é o sisifismo estoico de Jesus no eterno fascismo românico, as cavernas de seus desejos são mais aprazíveis a linguagem rupestre das sombras do que a defesa de Platão ao seu mentor Sócrates. A visão é individual, tal como a visão interior de si mesmo, disto nasce a autonomia autoconsciente ao contrário da mágica que como ilusionismo faz-nos enxergar apenas o que desejam. Passamos ser apenas parte do truque, e enxergamos apenas o que querer, antes Themis de vendas enxerga apenas os fatos, melhor o cego do que o que enxerga errado. A miopia social é a lente dos poderosos as massas.

Disto a falsidade ideológica formalizada na uniformidade homogênea mais que clonagem social passa a ser substituição não apenas da identidade e individualidade original, mas da honestidade dos direitos de ambos. Disso ao passo da falsidade ideológica é o da ideologia falsificada que em suma é a representação do direito alheio usurpado como dublê dos manjares e deleites alheios, mas sem igual responsabilidade na destituição da autenticidade, não somente da cópia como do copiado. É o plágio social, a cola de quem não aprende a ser si próprio. A destituição da autonomia sob essa estratégia é a do pensar em si e por si, é o arrebanhamento do uniforme onde a identidade de um está firmada na de todos, não em si mesmo. A independência é a ilusão quando de todas relações depende si próprio, e a ruptura do indivíduo em suas fronteiras (mentais e sociais) como massa de modelar ao sabor do dominante. O coletivo é um tecido que sem a célula do indivíduo passa a ser cancerígeno, a harmonia das relações espontâneas passam a ser uma organização reprodutora, desordenada e radicalizante. Nessa massa a semelhança é igualdade e a diferença desigualdade. Logo, o ódio discriminatório passa a se tornar assimilador ou neutralizador. Ou o normativo é absoluto, completo e total ou o oposto radicalizante, do pensamento diverso, a todas mais diversidades. Aceitar tudo, concordar com tudo é a única possibilidade de "paz", um paz negra, opressora, repressora do ser. Assim a individualidade mesmo em seu direito legitimo tornou-se uma patogenia da loucura a ser combatida enquanto a doença mainstream é a nova saúde sã. 

Disso não é a abstração e subjetividade a raiz dos mitos arquétipos, mas a derivação instintiva do 'eu' irracional disso, por isso tais arquétipos normalmente pertencem ao inconsciente coletivo, pois os instintos e anseios são as únicas coisas universais possíveis na humanidade, tanto como seus mitos e arquétipos derivados. Na realidade é a falsidade ideológica a concretização do arquétipo, pois está na destituição do ser autoconsciente, per si, por si. Não se tratando de imitar os bons exemplos, imita-se a identidade em antagonismo aos exemplos do original, este agora socialmente imolado, como do Anticristo para Jesus Cristo onde se nega apenas sua identidade autônoma, não sua irracionalidade do 'eu' animal que perfaz apenas os nós da forca a democracia.

A democracia tem sido substituída por uma deimocracia fobocrata por isso. Quando os direitos individuais são subjugados sabemos que quando não são os criminosos comprovados a terem seu lugar determinado na prisão eles é quem ditam o mesmo ao cidadão. Pois há apenas um modo de ditar o lugar do cidadão, pelo crime e a perseguição. A democracia é do povo, para o povo, é o povo! O oposto é opressão! Pois toda exceção (ou generalizada) é a o átomo do indivíduo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

A Oligarquia da Legitimidade


“Quem dita e formula as palavras e frases que usamos, quem é dono da imprensa e do rádio, é dono da mente.”
- Joost AM Meerloo, The Rape of the Mind.

"A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa..."
George Orwell

A maior oligarquia que existe é a do monopólio da legitimidade. Quando a busca pela autoafirmação através da diferença leva a institucionalização da desigualdade ocorre uma busca monopolista pela exclusão desse ‘diferente’ aos próprios ditames. Como modo de afirmação de identidade numa variável de etnocentrismo. 

Disso o apelo da falácia da autoridade ao se empoçarem da hipotética e usurpada ‘patente’ da razão e da verdade, ao se tornarem uma instituição da "credibilidade bancária" depositada aos “eleitos e escolhidos merecedores” do status quo, ainda que equidistante dos frutos e obras individuais. A revelia da vontade desses egos complexos tem início assim quando o poder no exercício em si mesmo e a vaidade exibicionista da hipocrisia se tornam os únicos limites criando um profundo abismo entre discurso e prática. Logo, ganham um caráter de dupla identidade, uma oficial e formal e outra informal e clandestina. 

Como as diplomacias pomposas de governo se discernem de órgãos de informação os dois passam a coexistir na prostituição. O princípio da duplicidade assim surge quando a pretexto ideológico este contradiz a si próprio, como pregar combater o suicídio, mas promover eutanásia e mortes (oficiais, sob pena, ou não), ou combater heranças e achar que fraudar propriedades alheias é mais digno. Estes com o tempo passam se achar mais dignos de colher o que não fizeram e avarentos ao racionar direitos à quem muito fez pelo silenciamento e exclusão.

Disso perfaz de sobremaneira a meritocracia, utilitarismo e capitalismo adjacentes, os quais sob muitas mascaras busca apenas os interesses de si próprios ao depender do danoso aos demais, intencionalmente. Assim a imprecisão que tira o contexto e acentuao vago e obscuro é permissivo apenas ao erro tanto como o negacionismo e omissão favorecem a negligência e crimes encobertos a benefício egoísta.

O exercício masturbatório do ego desses grupos passam então a mimar a própria vontade na proporção e poder impune que lhe é agregado. Se a vaidade se torna masturbação ególatra esse poder hipócrita é o estupro. Afinal quando fronteiras e discernimentos são desfeitos em narcisismos ególatras exacerbam em egorragia, tais apenas delimitada pela fachada opulenta de castelo como cobertura a masmorra de seus deficientes de caráter e aleijados morais sobre as vítimas que destroem no caminho. 

Por isso os que nunca entendem nada além do próprio desejo gostam de dizer que nunca aprendemos aceitar seus erros excessivos e de "exceção", por estes que nem a verdade e lei aprendem senão como arbitrária ferramenta ao sabor de seus mimos. Logo, sob muitas roupagens se camuflam seus flagelos segregatícios as vítimas, advogando o contraditório de certificações a licenciosidade legitima a revelia da objetividade da lei, ética e fatos. De todos que ditam serem os únicos a determinar a certeza sobre algo, a legalidade ou ilegalidade, o valor ou o título de tais, sendo tais sob exercício e formação condizente ou não, mas abnegam regras tais ditando que apenas se pode fazer história, filosofia ou artes através deles e sob a permissividade tortuosa destes.

O fato é que passa-se a usar medidas falsas aos fatos e atos, mediante a critérios parciais e turvos a estes egos massivos ao impor a condição satélite aos demais, desde que esse etnocentrismo apenas se perfaça a exaltar de sobremaneira estes em detrimento dos demais. Não se trata de mera defesa da honra, mas a dominação desigual sobre a honra alheia. Todavia, a míngua das vítimas pelo minar dos mimos tentam escrever a força a legitimidade na oficialidade como relés contos de ninar que acalentam apenas uma legião pecuária de ignorantes.

domingo, 3 de outubro de 2021

Sobre a Ética Serviço

A busca por harmonizar visa suprimir os instintos de condições extremas em suas adversidades através da supressão das necessidades não apenas físicas, mas sociais e emocionais das quais o oposto (da escassez e excesso) advém os extremos que ao romperem os limites se tornam traumatizantes ou viciantes, mas ambas alienantes em sua desigualdade hostil e dicotômica do qual o contrato social inexiste senão sua ilusão muitas vezes pela má ponderação do mesmo.

Assim como a presunção de uma ciência ética acredita num naturalismo ético o qual penso assim como na universalidade dos sentimentos e emoções como sua partida o mesmo pode construir tal postulado na busca racional de modera-las afetivamente.

O serviço ético assim tem esse valor de movimento de alteridade, não apenas por si, mas também por outrem tanto como para com si mesmo. Todavia a alteridade falha em ignorar a essencialidade da reciprocidade e do mútuo apresentando uma assimetria que pode exacerbar em desigualdade ao termos apenas deveres ante quem não assume os seus próprios ante nós, tal como responsabilidade. Ao crime você deve satisfação e explicação aos homens, o seu pecado a Deus e seu direito apenas a si mesmo. Isso pois o transcender não devem anular essências, mas reafirma-las quando leva e eleva o autoconhecimento, ou seja, a coletividade feita movimento é apenas possível pela individualidade ao contrário de uma demandada bovina. A exemplo de autarquias ou o fascismo que negam o autoconhecimento alheio, estes não veem alheios como algo que não domina, mas deve ser dominado contra seu direito, de modo que o si mesmo tenta em outrem ser extensão de si, de seu poder, não transcendendo, mas apenas sendo um individuo pestilento que não é responsável nem por si mesmo em seus atos, nem por alheios. Impõe-se a alteridade em alheios para eles mesmos não tê-la.

Logo a ética serviço assim apresenta-se como o conhecimento responsavelmente racional desse fazer, da ação, servindo unicamente a definição do 'certo' e 'errado' à conduta em relação mútua, não do mero dever ou direito. 

Ainda que esse deva se submeter ao conjunto do conhecimento filosófico da razão que discerne o falso de verdadeiro donde somente assim podemos julgar a veracidade do certo, logo damos vazão a dupla dimensão do termo 'razão' ao deter de um lado o certo e verdadeiro e o errado e falso, pelo mesmo motivo o qual julgamos muitas vezes a mentira algo errado. Por isso dizemos que quando alguém está certo, este tem razão, pois implica a suposta veracidade de sua conduta ante a ética comum.

Assim sobre os outras categorias éticas dizemos que:


- A ética não é utilidade, pois não é instrumento, mas função, quando instrumento se torna moralista;

- A ética não é dever em essência, mas serviço e exercício da cidadania como na lei, pois não devemos a não ser quando erramos mediante tais características no serviço com alheios, como ação relacional da ética. Caso fosse dever todos nasceriam em dívida, não direitos, pois do dever pelo dever nasce a exploração.

Ora, assim como um instrumento é uma propriedade, pode ser possuída ou detida, enquanto o serviço como ação de todos não, sendo o grande problema quando determinadas qualidades, pensamentos ou valores se tornam propriedade materializam apenas o monopólio e superioridade hipócrita que perfaz as elites do que comumente se dizem serem donas da verdade e da razão. Porém, como no serviço consiste apenas a autoria tanto como na descoberta, feitos e criação. A ética serviço assim é caridade as necessidades alheias, e intolerância a intolerância e a corrupção e impunidade. Pois assim a ética serviço busca a igualdade e harmonia, não o oposto. A melhor forma de diminuir variáveis nas consequências das ações é na contenção do caos na busca por harmonizações simétricas como razão contrária ao caos, não na desproporcionalidade, mas justa proporção.

Ora, a ética serviço ou social provocar-me o dano para usurpa-la por ser uma consequência útil ela deixa de sê-la. O contraditório sempre será oposição a mesma por isso.

Basicamente usar a ética serviço em prol da desigualdade da impunidade e injustiça (social ou jurídica) é um absurdo desfigurado em si mesmo, seria como dar uma propriedade de remédio  para a doença usa-la como salvação hipócrita. Uma ética serviço como função não é útil a si mesma, nem a indivíduos ou grupos, pois ela serve não como instrumento, mas as razões relacionais. Por isso não deve, pois não possui dívida a não ser em sua falta. Você não deve fazer cometer algo errado, mas deve caso faça, pois a dívida é posterior ao direito, não anterior. O fazer do livre-arbítrio.

A responsabilidade vem da obrigação ou da liberdade? Um ser livre não é obrigado a não atacar e matar alguém sem motivo a não ser legítima defesa, mas por ser livre ele pode fazê-lo, todavia terá de ser responsável por esse ato ante os fatos. Sendo a assim a palavra correta não detém a obrigação em respeito a livre-arbítrio humano, mas o fato da qualidade humana de optar pelo certo ou errado lhe obriga apenas a responsabilidade sobre sua escolha. A ausência de responsabilidade assumida como se atribuí aos inimputáveis de manicômios judiciais ou regimes totalitários e autoritários se propõe a desigualdade de poder na parcial ou total transferência e delegação de obrigações e responsabilidades sobre o oprimido categorizando majoritariamente o maior privilégio possível destes, a impunidade pertinente a absoluta ausência de responsabilidade por seus próprios atos.

 Todavia a moral e o dogma assim sendo instrumentalizados se tornam fonte de cruel e radical etnocentrismo exacerbando mesmo contra a lei, ética e outras morais ao se impor a força contra o direito alheio. A instrumentação de qualquer ética leva a sua degradação descaracterizando-a em si mesma, como a ética serviço tornando a serviçais e servidão. Epicuro fracassa nisso quando sua instrumentação hedonista tem efeitos tão maléficos quanto na utilitarista ou dever, a exemplo do sadismo. A quebra da reciprocidade pela instrumentação é a falha comum a todas as éticas como causa da desigualdade que é a assimetria de relações pois como ante a transcendência beuvoiriana predominante apenas é possível pela imanência de suas vítimas. A dominação da elite parasítica é essencialmente anulativa e deformante.

As maiores atrocidades foram cometidas a pretexto de ser preciso, necessário, merecia ou simplesmente por poderem contra a lei e direito alheios não sendo estes ante tal critério de lógica ética ou legal. Grandes erros e crimes acabam por serem promovidos a pretextos desse alegado merecimento, esforço, necessidade, preciso, dificuldade e por meramente 'poder' como se fosse possível uma ética antiética que promove o problema a pretexto de combatê-lo.

Quando dizemos que cada um apenas ‘deveria’ se meter na vida alheia apenas caso fosse para colaborar, isso não implica o fato de colaborar no ato de alguém se meter na vida alheia para o oposto. Tal como um penalizador vive o que prega, mas não sofre o que impõe caso ele não deixe de viver conforme as regras que prega e o erro como sua ausência. A isenção da razão nunca sofre a si mesma sendo o contrário ao moralismo que faz sofrer alheios o que ela mesma deveria sofrer mediante o que prega, tal como a falha utilitária ou como na lei do crime, os que erram e sofrem, pagam, estes ao fazerem sofrem e errar apenas justificaram o que sofreram.

A instrumentação ética que a degrada a um moralismo tem efeito similar ao dogmatismo ao pensamento, de modo similar leva a falha ao utilitarismo no fato de quem promove o próprio bem-estar oposto ao bem-estar alheio (vide o hedonismo sádico) a mesma ética não deveria ser aplicada a ele, pois uma ética justa não é bom para quem faz o mal, mas sim para quem é bom, de modo ser impossível proporcionar o bem-estar a todos envolvidos mediante o erro. Como poderíamos aplicar o bem-estar a um estuprador por esse ato sendo a pena em sim para esse crime seu contrário? Nisso a ética serviço busca o justo como razão de ser, não o mero bem-estar. Isso pois o justo, nesse caso, estará sempre no bem-estar público ante tal ato que provoca inquietação e descontento como a corrupção. O utilitarismo destes cria para si apenas o que chamam de idiotas úteis.

A ética predominante no capitalismo é utilitarismo pelo qual o cálculo predominante alimenta a objetivação alienadora dos envolvidos como meros denominadores que apenas potencializem o maior lucro, benefício e bem-estar possível. Disso a instrumentação é inegável ao negar valores humanos equacionados como exatas onde tudo há um preço e ser quantificado. A destituição empática, a exemplo do mercado negreiro nos séculos XIX, são exemplos disso ao reduzir estes como meras mercadorias, produtos até se tornarem meio de produção.

Um exemplo histórico desse cálculo utilitário pode ser visto no caso do Massacre de Zong em 1781 onde 132 escravos levados para a colônia britânica na Jamaica foram lançados acorrentados ao mar por uma questão de minimizar custos e gastos com aqueles considerados doentes e moribundos .

Ainda que a exemplo do utilitarismo a ponderação dos meios e fins, prós e contras mediante seus resultados e bem público deveria razoar isto caso isenta em si mesma. Todavia o problema é  que a razão na busca do prazer em si é contraditório em termos, a razão isenta a si mesma das volições, ela tem que ser centrada na verdade e no justo, o que acaba falhando quando o prazer sendo objetivo tende se tornar vício como exercício excessivo de poder, e a razão viciada é apenas senso comum.

Trechi do livro 'Vício & Trauma'

sábado, 2 de outubro de 2021

Promoção da Ignorância Como Práxis de Controle

O valor é significado, preço é custo. Nem tudo que tem preço tem valor, assim como a maior parte do que tem significado não tem preço. Similarmente ao propósito de vida, o conhecimento legítimo que leva a verdade com respostas que transcendem a realidade ordinária ao resolver problemas e tornar a vida em sociedade melhor possuem valor intrínseco a um significalismo, ainda que possam ter algum custo intelectual ou de produção. Porém, seu valor transcende o monetário por ser em si mesmo um capital.  Ao contrário, uma pseudosofia ou pseudociência que por esse motivo tem por fins extorsivos as vítimas. 

Disso uma ectrosofia (echtrósophia) é caracterizada como uma aversão ética a verdade e conhecimento legítimo, uma espécie de antítese da filosofia na resiliência da ignorância. Sendo expressa na obstinação fanática de superstições e pseudociências de modo doloso ou, na ignorância cotidiana do senso comum, que repudia a instrução e educação crítica e reflexiva, tendo aproximação ao ser precursor da fobosofia, psicosofia, patosofia e todo tipo de pseudosofia, antisofia apenas ao legítimo conhecimento íntegro. Por esse motivo a liberdade de informação é indesejada. O secretismo é a principal caracterização da informação privilegiada ao vetar acesso público a pretexto de cobranças que não sejam de mera manutenção própria. 

Sobretudo gera uma desigualdade nociva e turva dentre os que tem acesso exclusivo e os que alheios permanecem ignorantes, motivo mesmo que a fobosofia e demais pseudosofias sejam disseminadas a pretexto de manipulação e extorsão alienante a realidade constitucional dos direitos de suas vítimas. Tudo que por exceder a relação custo benefício perde o valor pelo preço excessivo, sendo este deliberadamente, ou não. Da limitação ao acesso a educação superior a produção de conteúdo relevante vetado ao público ou publicado por vias antiéticas do plágio ou pirataria a fins de autopromoção exclusivo e enganoso, sendo este financeiro ou por crédito por direitos autorais roubados. O mesmo ocorre aos produtores de conteúdos, sendo estes puramente artístico ou não, que jogados a míngua ante os conglomerados de comunicação midiática, sobrevivem na internet quando não são francamente sabotados e plagiados (um fato mais comum do que parece).


Referência:

FONTANA, William. Filoversismo: Manifesto Sobre o Conhecimento, RJ, 2021.