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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Conto 'Irmandade de Giges' no Maldohorror

Coonto 'Irmandade de Giges' de William Fontana, no Maldohorror. O conto narra a descoberta de um grupo que usa um achado arqueológico capaz de amplificar o poder da vontade a subverter mesmo as leis físicas, o conto é uma prequela de outro chamado "Egoverso". 

O conto “Egoverso" é uma crítica ao massacrante etnocentrismo que para impor sua narrativa artificial atropela não apenas fatos objetivos e leis, mas qualquer pessoa, mesmo honesta, em seus direitos e sonhos por meramente estar em seu caminho para impor sua vontade e se promover mentirosamente com o que não fez ou produziu. Quando a megalomania egocêntrica julga ter o direito de suspender a verdade e se possível as leis físicas. Sou a prova disso.

O conto ‘Irmandade de Giges' assim funciona como um preâmbulo. O conto versa uma ficção fantástica na alusão metafórica de um poder etnocêntrico e autoritário o qual busca um poder avassalador que não respeita quaisquer leis ou fatos objetivos.

Acesse o site do coletivo de autores malditos maldhorror ou clique na imagem abaixo.


quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Cronocinese


Nos movemos pelo tempo, mas o tempo também se move. Caso aceleremos a velocidades próximas da luz ganharemos massa próxima a infinita de modo que não devemos acelerar o objeto, mas alterar a dimensão do espaço-tempo por um campo em que estamos numa velocidade comum, mas num tempo acelerado como nas proximidades de um horizonte de eventos de um buraco negro, uma vez que o espaço-tempo delimita os limites da velocidade da luz. Similarmente uma bolha de espaço-tempo preservaria as condições físicas de massa e densidade suportáveis a vida ainda que ante o espectador externo soe pela relatividade proibitivo. O físico Miguel Alcubierre propôs algo aproximado a isso ao propor a distorção do espaço-tempo como dobra espacial ao contrário de uma bolha que o preserve de modo destoante as grandes velocidades o que hoje também é conhecido como solitons.

Similarmente podemos falar que se dá velocidade é possível extrair energia e elevar a massa na matéria logo o movimento das dimensões espaciais também. Logo, a expansão espacial do universo pode gerar magnético o que alimenta a ideia do vácuo quântico. Isso pode aparentar uma aparente ruptura com as leis da termodinâmica mas é isso o que aparenta fazer esses preceitos quânticos. Talvez a medida dessa expansão apresente uma verossimilhança ao Big Rip tornando o tecido do espaço-tempo mais fino a sinalizar fronteiras além desse pelo qual escapam energias.

Do big bang a grande inflação em si é um contrassenso as leis da termodinâmica. Isso intui que ou as leis da termodinâmica estão incompletas no mínimo, ou as leis do universo mudaram a menos que a energia e matéria tenha demandado de outro universo. Por esse motivo fico inclinado em crer que a energia escura e matéria escura são faces diferentes de movimentos dimensionais do espaço-tempo e que assim ambos inexistente conforma alguns cientistas acreditam. 

Uma vez que a entropia e desordem no universo aumenta atestando o tempo em sua expansão tanto como o espaço. Caso o tempo fosse a uma única inexorável direção não existiriam variáveis e probabilidade, mas uma ordem monocromática definitiva quando a incerteza é a única constante no caos.

Assim a coesão dimensional está dentro dos limites desse universo e suas leis como inerentes a direcionalidade dimensional do tempo delimitada por um fim, um futuro limite. A partir disto emergem demais forças e leis em razão do fenômeno dimensional e dessas as combinações variadas de partículas até que a física organizada evolua para a química e dessa a matéria orgânica. O engenho disto apenas é possível pela coesão da informação em padrões emergentes da randômica.

O fato da teoria do Big Crush não ser respaldada pela energia escura não prova a inexistência de um colapso futuro do universo, mas sim dessa hipótese. Na verdade há várias hipóteses concorrentes para supor o destino do universo, do qual a minha não está inclusa oficialmente quando acredito que o colapso não será espacial, mas dimensional e a energia escura é o indício disso. Ainda que o espaço seja uma das dimensões do universo a singularidade que as rompe tem início no rompimento de suas legislações e uma vez que aparentemente a expansão do universo viola as leis da termodinâmica isso é um indicativo.

Assim como a impressão do efeito de massa observado na matéria escura não implica necessariamente a existência de matéria, variações dimensionais do espaço pode provocar sem mera procedência de astros massivos, mas pertinente a funções de direcionamento dimensionais do universo similarmente aos efeitos de lentes gravitacionais.

O tempo futuro preexiste e isto está no fato de que se o espaço e tempo são indissociáveis logo esse mesmo espaço está agora no futuro tanto como no passado como parte do mesmo, ou melhor, se o tempo no espaço muda, logo o espaço não pode ser considerado espaço-tempo por ser descolado do mesmo. Apenas um mesmo tempo e espaço podem serem os mesmos independente das latitudes do espaço ou do tempo, de modo que o tempo futuro ou passado demonstram apenas perspectivas diferentes do mesmo espaço como dimensão própria tanto como a largura, profundidade e altura estão para o espaço. O tempo assim fomenta mais essa perspectiva onipresente ainda que além do horizonte de realidade mensurável. Do tempo isso acontece pois ao contrário do tempo em nosso universo ele é apenas uma dimensão de modo que ao contrário do espaço não podemos ver a profundidade, altura e largura estando preso num único limiar, a do presente ainda que constantemente sendo movidos para o futuro. Porém, há sinais que sinalizam indícios disso como a entropia. Caso a hipótese tenha validade flutuações na entropia seriam tangíveis, mas em escalas largas de comparação de espaço-tempo indicando pontos de menor ou maior turbulência no tempo ao resultar em diferenciações no caos podendo explicar tanto a matéria escura quanto a energia escura.

Trecho da segunda edição de 'Chronogenises' de Gerson M.A.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

A Loucura da História

O verocentrismo é o cerne objetivado do aletológico da legitima filosofia, tanto como da ciência ou história. Todavia a verdade não bastando haver tipos, como de estado, percepção, sensação e permanência  há dos meandros que as perfazem, não sendo a verdade em si, mas a verdade de seu 'motivo' (porquês) e 'meio' (como), tanto da ética pra estética. Disto a verdade ainda que vista originalmente como estática e absoluta em seus níveis relacionais, percentuais ou ad momentum apresentam facetas de abordagem numa aletologia da verdade em movimento. A verdade do verbo em ação donde erros perceptivos concebem neosofismas do relativismo não passam de concepções embaçadas, não embasadas, de interpretações anedóticas apenas verdadeiras nas volições subjetivas. A ética similarmente é um exemplo aletológico da filosofia na busca pelo capturar esses movimentos da verdade sob o viés comportamental e social. Similarmente o filoversismo analisa de perto essas concepções que sempre se dão por vias relacionais, ainda que numa abrangência ontológica.

Do mesmo modo que palavra do justo pode não ser lei, a do mentiroso e ofensor pode ser crime. A palavra do sincero ao corresponder as verdades podem assim valer muito, enquanto a do oposto apenas a ilusão.

Assim quando Max Weber fala de um desencantamento do mundo mediante a tentativa da ciência ocupar o lugar de Deus ao responder as questões básicas da vida e do universo negligencia o fato de que não apenas o respondido, mas que a ausência de respostas as questões especialmente morais e humanas levam a esse aspecto de desencantamento. Uma vez que a ciência responde o 'como' a religião se ocupa de responder o 'porque'. A ciência busca validar explicações fenomenológicas do mundo e a religião seus motivos. Todas almejam abordagens diferentes das verdades abrangentes.

Disto temos coordenadas que são os dados e dados coordenadas, e com eles no mapa achamos lugares e coisas, similarmente numa pesquisa refinada num rotor de buscas da internet achamos mediante determinada combinação de palavras-chave sites e notícias do que interessa. O mesmo fazem na ciência. Ainda que na busca por algo específico no horizonte de realidade você possa topar num achado inesperado, como descobertas imprevistas, quando você sabe o que procura a possibilidade de achar aumenta em proporção as aproximações de dados que coordenem a busca ou descoberta.

Enquanto a mentira e demagogia levam ao engano ou geram a ilusão, o amor ganha vida não somente fisicamente, mas podendo ser conceitualmente. Nisso diz que biblicamente ainda que alguém esteja morto, mas crendo, viverá. Do verbo ao universo são as previsões semânticas e argumentativas que trazem as palavras ao real.

A mente é o terreno fértil da imaginação, mas apenas com as bases sólidas da verdade e do certo construímos as paredes do discernimento e definição que perfazem a casa do legítimo conhecimento.

Porém, o deflorar semântico do conhecimento tem mesma conotação do adultério de adulterar, o que gera impureza no conhecimento, das incongruências filosóficas as morais. Como no português ao discernir sujeito oculto de inexistente, pois filosoficamente não ver não prova inexistir, caso contrário oculto seria sinônimo de inexistente.

Disso construímos a história entre mesclas dessas verdades relacionais do conhecido ou do que se deseja conhecer, torna a história passível de enganos e percepções a exemplo do etnocentrismo. A parcialidade da história em parte negligencia o desconhecido como inexistente e muitas vezes torna a loucura historia e história a loucura.

A loucura da história nasce do sentido, onde o mero sentir da volição declina abaixo da ideia de verdade, sendo apenas erupções compartilhadas da subjetividade, fragmentos etnocêntricos da vontade dominante. Assim como a loucura inconsciente dos fatos objetivos e exteriores desse coletivo similarmente nasce uma história da loucura,  ainda que permutada pela intencionalidade. É o afastamento do verocentrismo aletológico para o egocentrismo egorrágico onde a loucura mainstrem é normatizada pelo etnocentrismo combatendo a 'doença da loucura' da  sensatez e bom senso moderado da isenção e transparência dos fatos. O negacionismo dos fatos antecedem a negligência com a lei, pois o erro pode apenas se respaldar na mentira e engano.

O etnocentrismo é a frenologia e fisiogonomia pseudocientífica da história, usa a vontade dos dominantes como a medida de realidade e verdade, como do circunstancial do aparente e superficial a causa. Por isso no triunfo etnocêntrico os dominantes são sempre os mais honestos, heroicos, bonitos, são, inteligentes e os vulneráveis e excluídos o exato oposto.

A discriminação excludente é o apagão social e histórico ao lançar as trevas todos assim rejeitados e esquecidos, o etnocentrismo apenas traz a luz do conhecimento o próprio louvor.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Teologia: A Origem da Maldade


O ser humano na condição pré-adâmica do estado natural, da ausência do 'certo' e 'errado' do fruto do 'bem e do mal', eram macho e fêmea, até que pelo conhecimento do erro como maldade a autoconsciência se fez necessária a estes vindo a se tornarem homem e mulher. Ao contrário dos que que conhecendo o erro ignoram a autoconsciência em sua responsabilidade para declinar a algo abaixo dos animais, o "fruto do desequilíbrio", que deu origem ao embate simbólico, nada mais é que um teste permitido afim de provar o ser humano a vencer a si mesmo ou ser condenado pelos próprios atos!

Nisso sabemos que onde há um mal fruto, há mais, a exemplo da inveja apresenta-se ao lado da vaidade como as duas faces da soberba, por isso a intencionalidade do pecado nunca vem só. A exemplo da inveja frequentemente se aglutina a cobiça, raiva e mesmo a mentira, afinal por ser incapaz de superar o invejado este desdenha do que na verdade deseja ardentemente, afinal ninguém quer o que é ruim pra si. Jesus não veio para estes, mas para os que o aceitam em arrependimento ao pecado ao contrário do orgulho de sua intencionalidade em alguns. 

Similarmente os que acusam em alheios o motivo de seus pecados lembre também dos pecados que motivam pela escassez, carências e privações de seus acusados, pois a medida com que julgam serão julgados! 

As bolotas são o maior tesouro dos porcos, pois de nada adianta erguer um templo grandioso corrompendo o templo do próprio corpo ante o Espírito Santo.

O que não possui motivo ou justificativa é doloso quando intencional ainda que nem tudo que seja intencional tenha motivo ou justificativa como o torpe e a crueldade. Desde quando temos que alimentar a ganância, a inveja e ódio? Porquanto mesmo perdoar não é permitir quanto mais alimentar tendo menos para que o ímpio tenha mais. As obras não salvam, porém, certamente podem condenar. E uma vez exortando é quem peca que deverá responder a Deus não si próprio.

Assim sabemos a diferença entre o fanático pagão e o radical cristão, é que o primeiro queima o santo na fogueira e o segundo o pecador. A adúltera estava desnuda ante o povo e Jesus vendo seu arrependimento a perdoou. Todavia ao contrário, os fariseus que o povo não conhecia os pecados Jesus os condenou criando mesmo a única categoria imperdoável de pecados por causa deles.

Antes de apedrejar examine caso você mesmo não comete pior aquilo que condena em alheios, pois a medida com que julga serás julgado, porquanto Deus perdoa apenas quem admite e reconhece seus pecados ante Ele, não os oculta fingindo não existirem por meramente não saberem, pois Deus condena especialmente os pecados não confessados! Deus não salva ou condena meramente pela roupa ou ausência dela, mas por seus frutos sendo eles conhecidos ou não!

Quem com sua boca confessa em arrependimento, livra-se da purgação do silêncio ou a condenação do que está oculto. Ora, mesmo muitos os profetas rasgavam as vestes e nu protestava diante de Deus ao contrário dos fariseus.

domingo, 12 de setembro de 2021

As Especulações Sobre a Hipotética Retrocausalidade

Perguntas nunca feitas levam a respostas revolucionárias. Partindo dos postulados filosóficos assim como abordamos hipóteses fictícias de viagens no tempo, iremos partir para devaneios a cerca da filosofia no livro proposto. Ainda que sendo meras hipóteses ao se assentarem em demonstrações filosóficas anteriores questionemos e reflitamos as possibilidades da retrocausalidade.

Uma vez que a percepção do tempo sendo individual apresentando uma ordem própria de eventos, logo, independente de estar na cronologia comum, ou não, apresenta sua própria causalidade, logo uma ética comum a mesma o que implica uma responsabilidade moral como a da linearidade ordinária.

O conceito dos cronons postula a não continuidade do tempo quântico ao contrário do espaço-tempo contínuo fortalecendo a hipótese da mecânica quântica ser na verdade um limiar dimensional como fronteiras limite de nosso universo. Tal demonstra sobretudo a possibilidade de ser nada menos que a mesma hipotética partícula de cronotons sobre outras variáveis noutras dimensões, além seta do tempo. A existência destas são base da filosofia do tempo pelo qual tornaria possível cálculos capazes de manipular o tempo e gravidade.

Uma vez postulando esse conceito  percepcionalista e das delimitações do futuro orientar sua direcionalidade, a ideia da retrocausalidade numa sincronicidade invertida seria considerada uma hipótese coerente como de que eventos futuros com tanto impacto seriam capazes de criar ecos síncronos no passado, como eventos símiles e fractoides em escala. Mas apesar de soar contra intuitivo isso me levou a basear a ideia de que a própria linearidade dele depende ao ser compelido por evento cataclísmico no fim do universo capaz de confluir todo tempo direcionado a ele. Logo, a própria retrocausalidade não a é a não ser uma mera perspectiva. Porém elas apenas poderiam ocorrer em ranhuras dimensionais como dos limiares quânticos em proporções simétricas ao impacto do evento central.

A causalidade não pode ser revertida, pois não pode ser alterada, proibitivo mesmo as leis da termodinâmica, pois tem implicações na inversão da desordem da matéria, logo probabilidades tanto como a entropia e possivelmente mesmo o livre-arbítrio. Porém, caso o universo fosse determinista não existiria probabilidade.

Logo, a ideia do pré-crime é inconsistente ante a premissa de risco duplo, pois juridicamente ser condenado por algo que não fez lhe dá o direito de faze-lo. Atitudes incongruentes ao pensamento proposto sugerem ilegitimidade e roubo. Pois a moral não muda inerente ao livre-arbítrio de causalidade independente da perspectiva assim como suas relações intrínsecas diretamente.

Sobretudo a reversão do tempo em sua causalidade implicaria o uso de força diametral e proporcional ao fluxo de tempo e caos do momento em que é invertido constantemente, o que seria menor mediante o mero romper por fora da dimensão do tempo, pelo mesmo motivo uma reação em cadeia seria impossível destruir tudo mediante os limites da onda do caos em sua relação com a energia do epicentro, o máximo que acarretaria seria numa fenda similarmente a um buraco negro. Talvez apenas um paradoxo retroalimentado de energia como uma "microfonia" temporal poderia produzir algo similar. 

Mas o que pode acontecer é um pensamento de linearidade reversa uma vez a perspectiva do "agora" é uma ilusão persistente as mentes lineares, no entanto, a influência material reversa não é viável. 

Assim como ficou provado haver em animais outros sentidos além dos cinco conhecidos em humanos, como a percepção de campos magnéticos, acredito haver um pertinente a percepção de tempo do qual a exemplo de diversos animais as experiências em velocidades de transcorrer diferentes, mas mesmo em localizações distintas. A perspectiva de tempo é construída por esse sentido.

A inexistência da divisão de tempos passado, presente e futuro como mera percepção é conhecida como teoria do universo de blocos ou como alguns círculos científicos chamam, Eternalismo. Todavia ante a proposta estática e imutável do observador ante os eventos, não aplicáveis ao próprio conceito do presente, destoa no livre-arbítrio de um eternalismo ante o conceito da ausência de divisão de tempo dando lugar no que chamo de alternalismo onde a ausência de alterações no 'passado' leva apenas a alternar opções pré-existentes como linhas de tempo paralelas. Todavia como associar esse conceito de escolhas de um individuo ao coletivo cada qual com suas escolhas? A resposta está na tendência que segue o fluxo de eventos mediante a intensidade de impacto de tais escolhas em proporção ao fluxo, como a correnteza de um rio cabendo todas variáveis possíveis dentro de um só rumo predefinido. Porém, disto outro dilema seria acrescido mediante flutuações de escolhas alteradas o que gerariam 'ecos' como ondas. Creio que hipoteticamente tais variáveis ainda que não se encontrem como a exemplo de fatos diferentes de um mesmo evento poderia criar algumas dissonâncias e aparentes incongruências como seus indícios. Discrepâncias e padrões conflitantes como da relação entre o caos e o cosmos, o que é visto como ilógico sendo no universo apenas um modo de estar se organizando. Fluxo laminar parece deter paralelos de sincronismo similares a inércia mas como padrões de eventos num determinado espectro do caos.

Assim a sincronicidade de eventos podem se dar por meio de paralelos simbólicos em escalas distintas como ecos cíclicos não lineares ou remetendo ao estupor onírico na indicação de ondulações o qual os eventos no fluxo de tempo seriam análogos ao de um sonar, o que tem em comum os sonhos, o passado mítico e as profecias. Disto padrões emergem tanto como a coesão dos próprios eventos.

Trecho da segunda edição de 'Chronogenises' de Gerson Machado de Avillez.

sábado, 11 de setembro de 2021

Da Grandeza ao Inchaço Megalomaníaco

A expansão é o crescimento, disto remete o lema iniciado pelos romanos ao seu Império e hoje a busca pela grandeza descambou a megalomania, a mania de grandeza. Todavia, ainda que o crescimento seja uma expansão nem toda expansão é crescimento grandioso ao substituir densidade por intensidade ou qualidade por quantidade. Da quantidade nasce a diferença e assim a desigualdade, da qualidade o original do singular, podendo ser diverso, mas nunca antagônico.

Essa lógica quantitativa aplicada ao capitalismo e ao advento da era industrial demonstrou-se destrutiva e nociva. Não bastando se tornar meramente espaçosa e sufocante se tornou exploratória dando razão aos primeiros movimentos operários de exploração de mão de obra barata que inspiraram Marx. A grandeza passa então a abandonar a virtude e se torna vício, como fermentar a massa a consistência decai na metafórica referência bíblica. A ideia passa abarcar o vício megalômano na destituição da virtude aristotélica que a ressaltava como grandeza. E isso faz hoje as oligarquias, regimes totalitários, conglomerados monopolistas que suplantam a concorrência remetendo mais a um crescimento cancerígeno do que natural e saudável. É o inchaço que aludia Santo Agostinho como proeza de dominação socialmente predatória. 

Antes mesmo o discípulo de Aristóteles viu contraditoriamente encarnar o oposto do que propôs seu mestre. Alexandre, o Grande, ao tanto expandir seu Império teria chorado ao perceber não ter sido mais capaz disto ao atingir a dominação total. Ao contrário da grandiosidade, a grandeza virtuosa de Jesus, libertou ao conquistar apenas mentes e corações ao invés de territórios, povos, riquezas e poder. Ser grande hoje então passou a se aproximar do conceito de Golias e Nefelins do que de gênios e libertadores, a diferença entre um e outro, no entanto, está no legado. Hitler deixou destruição e milhões de mortos, Stephen Hankins, Einstein, Tesla e tantos outros (e outras) um salto ao conhecimento científico, filosófico e cultural.

Os grandes gênios inspiraram avanços, criações e descobertas, os grandes tiranos apenas medo e ódio para destruição e poder autoritário. Como costumo dizer 'quem substitui grandeza por tamanho, se esquece que virtude é apenas o primeiro.'

Trecho dos apêndices de 'O Mapa dos Sonhos'.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Conto "A Bruxa do Tomateiro"

Black birds sing blues in sadness,

trapped blue birds sing better.

Don't sing freedom, never. Wings don't make songs.

De todos engenhos e fazendas da região era a mais prospera ainda que em meio a escassez e pragas fossem os únicos a não sucumbir as secas e crises, ainda que seu produto não fossem extraídos de canaviais ou cafezais, mas do maior tomateiro do Estado que era a fazendo Luzes da Vitória Régia. Ainda que após a morte da viúva e matriarca do casarão, a cruel e sádica Madame Martins, todos escravos tenham sumido misteriosamente, os filhos da viúva trataram de arrendar novos escravos leiloados após seu senhor anterior ter morrido sem herdeiros. O senhor tão amado pelos escravos os haviam convertido ao cristianismo por seus exemplos de amabilidade de modo que mesmo alguns escravos temiam a abolição e não terem para onde ir na ausência daquele tal amável senhor de espessas barbas brancas e fervoroso defensor da abolição da escravatura.

Mas os pobres diabos dos escravos foram comprados em lotes e recebidos sob açoites, açoites que há tempos não recebiam, agora ante a imagem do espantalho do tomateiro. Logo o negro Anderson fixou a imagem do espantalho ao de uma mulher que pendurada remetia os horrores da dor, uma espécie de bruxa. 

Aquela era a chamada Bruxa do Tomateiro, uma esquálida criatura em trapos de vestido e chapéu cinzento como de uma feiticeira de magia negra. Sua imagem parecia evocar horror mesmo aos pássaros do qual não se ouvi um piu durante todo dia e mesmo o vento se atemorizava se aproximar. 

Logo, rumores noturnos de alguns escravos insones aludia fitar em vultos a Bruxa do Tomateiro vagar dentre a plantação murmurando mandigas e juras de aflição aos pobres escravos assediados pela coerção no mero respirar. Uns escravos diziam que a bruxa do tomateiro era na realidade os restos mortais da viúva o qual arrendou a plantação a sua volta sob os corpos dos antigos escravos como adubo. Porém, as sessões diárias de açoites suplantavam tanto os rumores como as esperanças que como violência simbólica atemorizava os negros de breu quererem se esconder no breu da noite. Eventualmente algum amanhecia pendurado pelo pescoço pelos trapos suados dados pelos sádicos senhores que para si atraiam apenas moscas. Todo ano uma das negras deles surgia grávida e um ano após o nascimento dos bebês supostamente bastardos eles sumiam tão misteriosamente quanto a surgia das sementes em seu ventre oriundas de constantes abusos sexuais.

Durante um extenuante dia revirando a areia do solo um dos escravos, Anderson, jurou ter visto a bruxa do tomateiro vira-se a fita-lo o deixando sobressaltado.

–  Cê tá louco, imaginação sua como seus sonhos, como aquele negrinho do ventre livre que achou que um poço lhe concederia seu desejo e apenas desapareceu. Apenas caucasianos livres tem direito a sonhar. –  Comentou a mãe dele quando um rufião vendo-os parado vociferou.

–  Vocês parados tem o valor de merda, servem apenas para adubar! Essa cor já tem e isso que acontecerá caso não voltem a escavar o que um dia será suas covas!

O homem pegou o chicote e vociferando arrastou uma das negras falou. 

–  Vamos seus ratos, façam o que mando seus condenados, caso não queiram ser desovados como saco de lixo! Olhem pra essa preta cor de merda como exemplo do que será de vocês caso não obedeçam!

O homem a empurrou ao chão rasgando sua roupa e em meio ao pó da terra levou várias chibatadas que reverberavam em tremores nos demais. As gotas de lágrimas uniam-se as do suor a alimentar o solo o irrigando. Todavia, a exaustão era mais psicológica que física remetendo a nostalgia daquele senhor que prometia tentar acolhe-los mesmo caso a abolição fosse consumada.

Anderson ainda que sendo negro sabia ter sido beneficiado pela lei do ventre livre, todavia as documentações que isso provara haviam sido destruídas levando os senhores de engenho chama-lo de mentiroso e caluniador e que por causa dele negras sofriam, pois incentivava estupros, ainda que fosse virgem. Ele foi entregue por alguns dos próprios negros acusando-o disso por este tentar libertar e expor os crimes dos senhores de engenho, pois ante a fraqueza covarde desses negros ele era maluco por desafiar as elites dominantes.

O silêncio deprimente os assombrou ao cair da noite enquanto voltavam a senzala. A interposição dos horrores não tinha palavras exprimíveis a dor que sentiam sendo o licencioso silencio sua expressão de dor. Anderson, um dos mais espertos a noite acordou e na madrugada notou que todas negras da senzala haviam sumido. Ao ir atrás ouviu um burburinho e luzes trêmulas quando no meio do tomateiro num círculo em torno de um pentagrama as negras estavam amarradas e sendo molestadas pelos senhores e rufiões. Tudo isto enquanto aquela que julgavam ser um espantalho estava ao centro, a Bruxa do Tomateiro, evocando-se como Dionísio, a divindade da fertilidade e insanidade como aquele loucura de culto doentio do submundo da antiguidade. As negras estavam entorpecidas por altas doses de ópio vindo de ricos traficantes norte-americanos e pareciam alienadas do que seus próprios corpos sofriam ante o cadáver possuído por Dionísio a dançar ante a orgia.

A bruxa do Tomateiro, sob a camada das mais frutífera fazenda de tomates um culto subterrâneo de drogas e sacrifícios de escravos para adorar o deus da fertilidade em prol da colheita da impiedade.

Nos resquícios de lucidez que restava numa dessas negras ao fitá-lo apenas murmurou a ele “fuja!”. 

Anderson agachado correu entre os tomates quando tropeçou em algo no chão vindo a parar e ao olhar notar ser os ossos dos pés de um negro com grilhões. O corpo estava enterrado e aquilo era prova o bastante dos crimes lá ocorridos.

O negrinho fugiu do engenho e relatou as autoridades o que aconteceu, mas trazido de volta entre xingamentos e espancamentos o senhor de engenho os recebeu dizendo.

– Sinto muito a vossa mercê, autoridade, obrigado por trazê de volta minha propriedade extraviada, esse crioulo está insano, tem problemas mentais desde quando exagerou na pinga. Inacreditável como até com a incompetência deles levaram a criar essa bebida tão desprezível que é a cachaça. Maldita pinga, tudo por causa desses pretos negligentes que beberam dessa goteira dos vapores da cana que deixaram azedar.

– Está tudo bem em seu engenho? Não ouve mortes ou estupros? – Indagou o policial do Império o interrompendo.

– Sim, caso queira entrar está tudo bem! Esse crioulo é doido! Pintamos os coqueiros de branco pra tentar ver as fugas dele a noite, mas não tem jeito! Vou mandarem fazer uma trepanação nele. – Respondeu ele tendo um aceno positivo do policial como se ele tivesse muito mais credibilidade que o escravo meramente por afirmar o que dizia pois a palavra de um negro valia menos que a de seu senhor.

– Vamos Anderson, entre e vá pegar os tomates agora para por no carregamento, a colheita está à toda!

– Qual o segredo da prosperidade tão grande de vocês? – Perguntou o oficial da lei quando ia dando as costas, mas virando-se para traz.

– O segredo é o que todos sabem, senhor. O segredo é o tomate!

Anderson ficou paralisado com olhos mareados como morto de espirito, sem esperanças.

– Vamos Anderson! Aproveite e pegue uma caixa de tomates para o oficial pelo transtorno que você criou, seu pretinho inútil! Tudo o que vocês produzem é nosso, e apenas nosso, pois vocês são nossa propriedade.

Anderson fez o que pediu. 

Após aquilo o negro ficou dias sem ser visto pelos demais da senzala, quando voltou estava castrado como um cão e de cabeça raspada havia um costurado onde parecia ter havido um buraco. Agora tinha uma coleira e estava babando entre sorrisos insanos ao fazer seu trabalho de modo robótico, como um autômato programado. Ao ser perguntado apenas dizia que um tal dr.Dionísio havia o curado. 

Todavia, naquela mesma noite após um raio cair numa árvore morta e seca um terrível incêndio devorou toda a plantação de tomates durante a madrugada, e estranhamente os negros na senzala apenas ouviam os gritos desesperados do espantalho que parecia agonizar ao fogo que a devorava, a bruxa do tomateiro parecia sofrer uma justa inquisição da providência divina!