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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Crônicas de Pangeia

Sinopse de 'Protogênises: Crônicas de Pangeia'
Um peregrino após ser arrebatado por um anjo guardião da ponte temporal com o passado narra eventos e fatos do Império do Amanhecer onde o rei é Lúcifer, uma entidade formidável mas entretido com sua condição enquanto busca alguém capaz de enxergar sua fronte sem ser cegado não percebendo que a visita do mortal antes da existência do homem será o prenúncio do fim de seu reinado sobre as terras de Pangeia. A jornada do Peregrino encontrará os mitos antes dos mitos na Terra antes da Terra como conhecida pelo homem. Segue abaixo um trecho do começo do livro:

Toda mitologia parte de um princípio, a do homem em sua ignorância inocente em procurar compreender a essência e origem das coisas, que por falta de ferramentas e métodos entrega à Imaginação a tarefa de responder dando o poder de toda criação a deuses da fantasia que imanam da mente humana. O tenebroso ganha forma e a esperança personalidade, lições morais emergem para acalentar anseios, logo toda um panteão surge rico de seres que vivem dos pensamentos humanos em sua transmissão, normalmente oral.
Toda mitologia nasce desse estado inocente e pueris que se torna fonte de religiões e culturas e mesmo seu ethos comum, turvado pelas névoas do passado a ausência de fatos os fortalecem no imaginário até ser revelado lentamente pela imparcialidade da ciência do homem, o que resta então, somente poderá ser a verdade.

***

Era uma vez um homem mortal, mas virtuoso que habitava uma terra distante, de coração nobre e corpo vigoroso, defendia os seus mas era de simples pensar. Nele não se encontrava qualquer sofia, mas o sentimento que permeiam os poetas. Desse homem pueris um ser alado observou e vendo que os maus tramavam uma crueldade contra ele e que sua vida estava enlaçada a emboscada eminente e injusta lhe ofereceu um acordo ante seu destino.

- Na história sua morte está escrita, todavia lhe ofereço outra vida para que seja seu cronista. Clamo para que com sua pureza e seus sentimentos poéticos relate o que veres, as coisas antes das coisas, do rei antes dos reis numa Terra antes da Terra.

O homem então, que muito amava os seus, fora tirado do seio de seu povo para esse outro mundo, por uma ponte que nele havia aberta entre eles. Uma terra única antes do Legislador parti-la com sua ira e cajado como quem dividiu Babel, uma Terra antes da Terra, a Terra de Pangeia onde habitam deuses antes de serem demônios e os mitos antes de toda mitologia humana pois a pré-Terra precede o paraíso do Éden num tempo antes do passado. Vendo isso o homem aceitou relutante o pedido do ser alado e viu a dourada Terra governada pelo seu único rei, Lúcifer, ser de suprema beleza e sabedoria antes de tramar seus planos que tentassem corromper os estatutos de Deus como sua estratégia. Assim então disse o ser ao homem.

- Numas das histórias serás testemunha, noutras participe, mas assim como os modernos de seu mundo juntaram as peças dos continentes a deduzir Pangeia, escreve com sua inocência o que veres e o que sentires. A terra que pisas antes de ser remexida pela fúria de Deus habita tesouros e lendas caríssimas que cabe a ti revelares batizando-as com as palavras de sua língua para que o tempo antes do passado seja memória daquele que era e não mais será.

Vislumbrando por esta terra dourada ao atravessar a ponte dos mundos, o homem o qual era Peregrino nessa terra, assim lá fora batizado para que em sua odisseia conseguisse compreender mesmo o mal antes de ser mal, de modo que num tempo futuro os degenerados seguidores do Degenerado, serão impiedosos e amassarão e massacrarão com ódio mortal os honestos, sem causa justificável mas como o diabo amassa o pão. Esses são de extrema crueldade, pois o rei deles, Lúcifer, quer tornar a seu mundo de outrora através do inferno o qual é cerrado.

Trecho de 'Crônicas de Pangeia' de Gerson Machado de Avillez

sábado, 6 de dezembro de 2014

Capa do ensaio 'Críticas Ao Poder'


Acima a capa do livro 'Críticas Ao Poder: A Política e Filosofia do Anarquismo de Gravata' de Gerson Machado de Avillez, clique na foto para amplia-la.
O ensaio usa o anarquismo como crítica a postular tratados sobre a sociedade, poder e hierarquia, que servem não somente ao anarcopacifista, mas a toda oposição igualmente crítica e benevolente ao poder vigente, inclusive a despeito do comportamento humano como estes pontos críticos ao convívio em sociedade. O texto é mais um manifesto crítico do que uma prática coletiva efetiva por ater-se ao rigor opositor ainda que se proponha modelos praticáveis ou experimentáveis. O texto é uma crítica ao poder humano sob o corpo da visão anarquista, destila sinteticamente verdades criticas a cerca do poder e hierarquias. É de supra importância estudar os problemas do poder em suas divisões hierárquicas, analisar suas deficiências pois representa a essência problemática do mal que é ausência de equilíbrio.
O problema crítico do anarquismo, assim como da humanidade, é comportamental análogo ao conflito hierárquico, justamente o ponto central que a anarquia combate. O texto do autor a seguir expressa após um longo exercício de reflexão e pesquisa, inclusive análogas a filosofia e física, um sistema de crenças que aspiram a uma cosmovisão por um corpo de conhecimento original.

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Abaixo a capa completa do livro, clique para ver ela completa.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Trecho de 'O Tempo e o amor' de Gerson Avillez

Abaixo um trecho do segundo capítulo do livro 'O Tempo e o amor' de Gerson Machado de Avillez:

O crime, num inócuo mistério, havia sido por dentro como  por um vírus no organismo. Com as portas fechadas pelo interior, deixou perplexa as autoridades que sentiram-se incompetentes em resolver o crime, como era comumente irrelevante naquele mundo. Mas então resolveram chamar o mais improvável dos investigadores, Johansen Pirro Ockham, um aspie que sofria de sinestesia generalizada.
Apelidado entre os forenses como 'O estranho' o sujeito, esquisitão tinha o dom de seguir padrões de cheiros e ruídos visuais que levasse revelar componentes e provas não conhecidas na cena do crime.
O jovem Johansen Pirro sentia o cheiro de crimes e era nascido num ano bissexto. Tinha sinestesia que misturava os sentidos e que por sua condição do dia de nascimento, tinha apenas 14 anos, oficialmente.
Apesar daquilo render piadinhas óbvias e pedantes, Pirro levou a compreender a sinestesia de forma única que permitiu literalmente cegos enxergar ao induzir o sensorial plástico pela sinestesia, porém, nisso toparam com algo mais, algo extra-sensorial. Aparentemente Pirro aprimorou seus dons sinestetas e hoje era como uma aranha na teia percebendo vibrações nos fios de eventos e tempo a procura de padrões e indícios no fluxo de eventos, como se referia.
Fosse no século XIX seria uma peça de circo, pois o sujeito acumulava dotes incomuns de modo único, pois era igualmente tetracromonotia, isto é, via muito mais cores que um cérebro normal era capaz de compreender, na realidade mais que as 16 milhões de cores que um computador é capaz de identificar em seus quase infinitos tons.
Ao adentrar a cena do crime tapou o nariz ainda que não tivesse nenhum odor irritante as narinas comuns, pois o cheiro era traduzido na verdade em seu peculiar cérebro. Virou-se e contemplou o blusão que a jovem e bela assistente do delegado vestia e disse.

- Seu blusão é muito barulhento.

A jovem abriu um sorriso, achava tudo aquilo muito brilhante e original, sobretudo pelo fato de Pirro ser irritantemente honesto em tudo que investigava dentro de seu distrito policial, a ponto que colocava em risco a impunidade de alguns de seus colegas corruptos.

- Por que ele disse isso? - indagou um forense que não o conhecia.
- Ele ouve a música das cores - respondeu a jovem assistente com um sorriso atípico a situação do crime ocorrido. - É um sinesteta.
- Ahh - respondeu o homem observando ele conversar com o delegado.

O Estranho, então, sem perder tempo, observa a cena do crime silencioso, mas barulhento por dentro, que ao ouvir as cores soa uma melodia aterrorizante com seus tons que não poderiam ser ao acaso. A frequência dos crimes soavam como um fluxo de uma melodia agonizante.

- Sempre tive a sensação de que as cores do mundo real estão erradas, mesmo os números tem mais informações do que aparenta. A visão humana esconde muito mais do que revela normalmente. - disse Johansen Pirro ao ver a assistente aproximar-se dele.
- Precisamos é de provas, mas se você tem certeza absoluta de algo, está completamente errado - disse o delegado de modo sisudo.
- É para mim ter certeza absoluta de sua afirmação, ou não? - perguntou o estranho sendo irônico sem querer.

O delegado ignorou e a assistente tentou fazer piada.
- Alguns só tem certeza que não tem certeza, pois no mais creem piamente na dúvida!

O oficial da lei olhou com semblante fechado para ela e respondeu em tom de reprovação.
- A busca por respostas leva, as vezes, alguns a deliberar inventando interpretações por não se conhecer o verdadeiro significado de algo ou simplesmente o ignorando.
- Lúcido, - respondeu a assistente com notável ironia - lembro que o sobrenome de Pirro é Ockan.
- O material é o aparente, o espiritual o inerente. - disse Pirro olhando para o vazio como um cão seguindo um lastro de odores, ignorando o que ela disse. - Mesmo se tapasse os ouvidos continuaria ouvindo aquela melodia quando pega na direção certa, de onde veio. - concluiu contemplando a melodia visual que era disforme. - Na dúvida de algo, sempre siga os padrões, eles sempre indicam a verdade ainda que não revelada, quando não são assinaturas de ocorrências.
- Caos e tempo, informações e ondas, duas faces da mesma chave universal a todos segredos científicos. - disse a assistente.
- As cores têm relações com o caos e o tempo. Por isso as cores são o alfabeto do infinito. - continuou Pirro quando topou com algo.

A assistente virou-se para o delegado e disse-lhe impressionada.
- Temos que admitir, ele é autentico.
- Ser autêntico é ser o melhor imitador de si próprio. - arriscou responder o delegado constrangido, tentando cobrir aquela situação com sua eloquência acadêmica na pratica forense. A pontada de inveja era evidente.
- E uma cópia só pode ser medida em termos do original. - repercutiu Pirro vendo uma relação concreta com o dito, nunca fora dado a subjetivdades e analogias parabólicas.
- O que encontrou? - perguntou a assistente notando ele se abaixar diante de algo.
- A verdade. - respondeu Pirro tapando as narinas. - Em terra de mentira, a verdade mata porque é marginal.
- Crime é o perfume do cruel - disse a assistente rindo quando ele pegou um anel sujo de sangue no chão.

Naquele momento o delegado passou a ter certeza no misterioso dom de Pirro onde os sentidos eram embaralhados como cartas num jogo de buraco o elevando quase ao status mediúnico até então proibitivo ao meio acadêmico.
Mas a felicidade está na dúvida ou na certeza? Quantas dúvidas se podem carregar?
Alguém diz que quem tem certeza está completamente errado, então temos que duvidar da afirmação dele ou ter certeza? O absurdo da afirmação é etimológico, a certeza vem de certo, logo a dúvida está errada.
A dúvida é uma incoerência da lógica inerentemente ao homem, um vago que não serve nem para estacionar. A ambiguidade é uma via que não se sabe onde chegar a não ser no inconcluso. Não posso ter certeza na dúvida, se contradiz. Havendo dúvida, duvido até da incerteza, mas da certeza estou certo.
As dúvidas são caminhos mais curtos para a insegurança e medo, na contramão da fé. Depressão é duvidar, felicidade é certeza. A depressão pergunta-se por que viver, a felicidade tem certeza. Mesmo a infelicidade há alguma certeza, mas a depressão é a dúvida como atuação. Pois em terra de incertezas habita do achismo.
Índios fazem a dança da chuva, mas alguns dança em volta da verdade para nunca toca-la, porque, o indefinível não é nada e pode ser interpretado como tudo. Porque tudo tem porque, mesmo ante o por que.
Maldito aquele que não busca respostas, mas incertezas. Sua vida é vã. Os que matam por dúvidas a condenação é certeza. Não é possível ter razão com certeza se há dúvida da razão.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Os sentimentos e o tempo

Crimes violentos afetam mais do que tudo o plano temporal porque as energias negativas de sentimentos maus de um lado e da angústia, medo, aflição de outro ecoam a influenciar padrões caóticos tanto a frente do tempo através de ecos de morte, por exemplo, quanto atrás no tempo por precursores da vítima, do criminoso ou de terceiros com sensibilidade aguçada, sensitivos. Todo crime violento tem precursores emocionais e estes afetam mais do que o ato em si porque é justamente a emoção que leva ao crime, cria como uma onda que se alastra pelo tempo, em múltiplas direções, e mesmo que não consumado ele acontece numa variável em algum grau e intensidade.

As vezes ecos de mundos paralelos podem ser sentidos e o próprio medo da possibilidade de ocorrer é um desses ecos. O medo não é apenas uma resposta emocional ante o risco, perigo ou dúvida, mas um eco de variáveis futuro do que ocorrerá ante uma atitude não tomada, isso soa como parcela sensorial na humanidade.

A violência marca profundamente pela emoção que cria, tanto ou mais que o amor pois pode ser mais intensa e por isso chamada de paixão. Crimes movido pelo desejo ou passionalidade são exemplos comuns e mesmo a um cético é possível sentir o clima pesado das relações de tais crimes que empreguiçam um local ou mesmo individuo.

Porém, o amor é diferente, tem um envolvimento de reciprocidade quando retribuído que atribuí-se não variáveis, mas destino, algo puro quando equilibrado e que favorece igual sensibilidade sensitiva e é justamente pela empatia do amor que um sensitivo percebe tais energias.

Por isso procuro fugir de ambientes e pessoas impregnadas de ódio, discriminação, ganância, raiva e hipocrisia pois isso está relacionado diretamente com energias negativas desse plano o qual sempre orbitam crimes violentos ou movidos por estes desejos.

Os sentidos emocionais tem relação com a direcionalidade do tempo, seu próprio sentido. Ainda que tal prerrogativa seja puramente especulativa e espiritualista isso explica inúmeros eventos paranormais e que as leituras de supostos videntes, quando certas, são leituras emocionais, empáticas, por um conhecimento adquirido não sensorialmente, mas emocionalmente, conhecimento sentimental que é por si só inteiramente especulativo, quer seja confirmado ou não.

São tais sentimentos com sua influência que formam o ethos coletivo de determinada população em sua moralidade comum, pois a moralidade em sua relação de imparcialidade ainda que aparentemente racional está relacionada diretamente com sentimentos de empatia.

Os sentimentos por ser imateriais são temporais e por isso nutrem relação com o caos mas de modo não linear, mas de sincronicidade conforme Jung suponha numa relação não aparente similarmente ao entrelaçamento quântico. O dia em que conseguir ter a relação entre tais eventos síncronos haverá a resposta para fenômenos paranormais, pois a resposta para todos eles estão no tempo e caos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Trecho de 'Cidadão Anarquista'

O ensaio originalmente chamado de 'Sistemas Anarquícos' a medida que se desenvolve teve seu nome alterado para 'Cidadão Anarquista' e poderá se tornar um livro de autoria de Gerson Machado de Avillez como uma crítica ao poder e hierarquia que sempre levam a imoralidade e anti-ética. O Trecho a seguir é do segundo tópico seguindo a crítica de como o poder centrado numa figura ou grupo será incapaz de harmonizar todo sistema o estabilizando por longo periodo.


O Acumulo de poder é a maior meta-tragédia da humanidade, tanto que apenas boçais são os que mais acumulam poder ordenadamente apenas a própria vontade arbitrária. Os que mais tem poder são os que menos são aptos a ele, não se conhece na história nenhum tirano bondoso ou imparcial, pois autocratas tem por lei a própria vontade, mas a lei da verdadeira anarquia é o bom senso solidário. Mas a proposta de 'Ars Ad Speculum' é contrária a da lei da atração, diz que quem deseja muito nunca sai como quer. Pois o pensamento nunca é igual a realidade, pois ele postula uma realidade própria.
O fascismo, autoritarismo, totalitarismo assim não nivelam, "harmonizam" pela força, por baixo. Harmonia no sentido nato da palavra é equilíbrio livre e espontâneo. Assim, independe de tão sofisticado seja o regime ou ideologia, pois não produzindo frutos melhores do que se crítica é inútil. Tais coisas contraditoriamente sempre levam a casos de anarquia espontânea e negativa por isso, por causa dos heróis de causa própria, idiotas dominantes. Ordem através do medo é tão volátil, vil e perigoso quanto anarquia através do medo.
O Poder centrado numa só figura ou grupo sempre estará fadado a incapacidade de harmonizar e estabilizar o sistema e o todo por longo período pois nunca será uniforme na dispersão de seu poder, seria emblematicamente impossível a nível quântico, é a balança em desequilíbrio. Porque esse poder em desequilíbrio sempre será corrupto.
O herói dos abastados é o abismo, o defensor do inócuo queima mendigos de um lado e enriquece ricos doutro, forte apenas sobre o fraco, grande apenas ante o pequeno. Se a autoridade não resolve o crime, impunidade, injustiça e corrupção não só é incompetente como irrelevante, para os que defendem tal autoridade a vida é pergunta e a morte resposta. Ora, autoridade que favorece discriminação alimenta não só abismos, mas crimes. Uma doença não pode ser a cura, como se observa. A anarcoguerrilha somente é conveniente nestes casos, pois passando disso é anarcoviolência.
O domínio da batalha simbólica confunde-se com a ideológica pois ela tenta, por meio de precedentes criar marcos a um novo tipo de comportamento ou ideias neles inseridas, podendo assim ser comum como meio a guerra ideológica, mas normalmente tal prática é subversiva, mas seria um modelo de harmonização ou de metas, fomentando alterações no ethos coletivo. Preza a lenda que Stalin seria hábil na guerrilha simbólica.
Um exemplo que ocorreu com o autor que serve para ilustrar isso, fora o roubo de brindes que haviam sido encomendados pelos correios. O objeto em questão tem valor mínimo, mas o crime era federal. Ou seja, se o crime é repudiado pelo valor das mercadorias abre-se um precedente a crimes federais e talvez posteriormente correspondências de maior valor possam ser roubadas.
Ao traduzir a ideia de que fora um roubo 'insignificante' discute-se em seguida num quase overton ou etapas da mudança de comportamento que seria aceitável tal delito ainda que com restrições aos roubos mais severos, e por conseguinte a oposição gradualmente cede quando o ato gradualmente se torna 'normal' ou 'natural'. A guerra simbólica assim atua lado a lado com o overton onde as ideias que ganha espaço são inseridas homeopaticamente como cozinhar uma rã gradualmente em banho Maria. A diferença do começo ao resultado final é alarmantemente mais grave e assustadora, onde por fim o absurdo poderia ser colocado como: 'não há mal em torturar e matar o autor para roubar-lhe seus livros, pois justifica-se como um bem comum ao grupo'.
Os precursores são perigosos, quando surgem e a medida que se tornam cotidianos, a abordagem, por mais invasivo e agressivo que seja tende a ser uma aceitação por sobrevivência, afinal todos os judeus não concordavam em viver num campo de concentração nazistas, mas eles passaram por procedimento similar e gradual que os levaram aquilo até ao holocausto, a dita solução final pois eles se tornaram um 'peso indesejável'.
Naturalmente, como se observa, isso pode levar a uma inversão completa dos valores e morais, porém, podem haver aplicações igualmente inversas da guerra simbólica ao simplesmente a expô-la podendo anular seus resultados. Afinal a briga não é por brindes, mas por abrir precedentes a crimes mais graves, afinal para que estes simplesmente se interessariam roubar meramente brindes? Isso provaria, porém, que a guerra simbólica é uma faca de dois gumes ao hábil especulador.
Por isso a fim de harmonizar um sistema de modo a atingir o equilíbrio é desejável, pois uma sociedade sem conflitos não há vencedores, nem perdedores. Porque onde há vencedores, há perdedores havendo assim desigualdade. Para isso o fator educacional deve ser uniforme e medidas disciplinares e educativas devem ser tomadas como penalizantes, os educadores são os mestres da orientação e conduta, o mais perto de uma autoridade que há nesse sistema anárquico. Inconstâncias são repelidas pois é própria de sistemas instáveis. Os inconstantes não gostam de definições para se contradizerem a todo instante, sendo assim impossível de se atingir um grau de pureza desejável. Puro é o que não apresenta distorções ou adulteração, é definível, assim a ideologia de distorções e adulteração não somente é indefinível como a própria impureza.
Assim um estado anárquico de sistema caótico seria formado não somente por educadores e mestres, mas sugestionadores e especuladores. O Caminho do especulador é enxergar o fluxo do futuro, se tornar visionário a conceber onde darão as estradas e tendências, deduzir a conclusão, intuir o melhor caminho a ser tomado no fluxo de tempo, um oraculo da sina do caos e do tempo. Enquanto o educador analisa os fluxos do passado, o especular é um sábio das coisas que ainda não aconteceram, um profeta de mundos paralelos.
Sugestionadores podem ser tanto educadores quanto especuladores, mas também adeptos da ideologia vigente, preza-se o pedir, não o mandar, em alguns casos a liderança, não a chefia. O Sugestionador é um avatar do bom senso.
Por fim encontramos o copiador. O copiador é intelectualmente passivo, só reproduz como receptor, normalmente acrítico, do que se propõe, não sendo criativo perpetua as ideias devendo ser conveniente a humildade, pois o acrítico não é permissivo a retórica moral. Mas estes pode se tornar algo mais quanto críticos, sugestionadores e os melhores adeptos podendo gradualmente integrar o próprio corpo de formadores de opinião precisos numa anarquia coerente e praticável.


Cidadão Anarquista - Políticas e Filosofia do Anarquismo de Gravata de Gerson Machado de Avillez para ver a versão atualizada do original inacabado clique aqui.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Certeza na dúvida ou dúvida na certeza?

A felicidade está na dúvida ou na certeza? Quantas dúvidas se podem carregar?
Alguém diz que quem tem certeza está completamente errado, então temos que duvidar da afirmação dele ou ter certeza? O absurdo da afirmação é etimológico, a certeza vem de certo, logo a dúvida está errada.
A dúvida é uma incoerência da lógica inerentemente ao homem, um vago que não serve nem para estacionar. A ambiguidade é uma via que não se sabe onde chegar a não ser no inconcluso. Não posso ter certeza na dúvida, se contradiz. Havendo dúvida, duvido até da incerteza, mas da certeza estou certo.
As dúvidas são caminhos mais curtos para a insegurança e medo, na contramão da fé. Depressão é duvidar, felicidade é certeza. A depressão pergunta-se por que viver, a felicidade tem certeza. Mesmo a infelicidade há alguma certeza, mas a depressão é a dúvida como atuação. Pois em terra de incertezas habita do achismo.
Índios fazem a dança da chuva, mas alguns dança em volta da verdade para nunca toca-la, porque, o indefinível não é nada e pode ser interpretado como tudo. Porque tudo tem porque, mesmo ante o por que.
Maldito aquele que não busca respostas, mas incertezas. Sua vida é vã. Os que matam por dúvidas a condenação é certeza.

Gerson Machado de Avillez

sábado, 8 de novembro de 2014

Guerra Simbólica

O domínio da batalha simbólica confunde-se com a ideológica pois ela tenta, por meio de precedentes, criar marcos a um novo tipo de comportamento ou ideias neles inseridas, podendo assim ser comum como meio a guerra ideológica, mas normalmente tal prática é subversiva. Preza a lenda que Stalin seria hábil na guerrilha simbólica.
Um exemplo que ocorreu com o autor que serve para ilustrar isso, fora o roubo de brindes que haviam sido encomendados pelo correios. O objeto em questão tem valor mínimo, mas o crime era federal. Ou seja, se o crime é repudiado pelo valor das mercadorias abre-se um precedente a crimes federais e talvez posteriormente correspondências de maior valor possam ser roubadas.

Mas porque discutir por brindes, algo tão banal?
Ao traduzir a ideia de que fora um roubo 'insignificante' discute-se em seguida num quase overton ou etapas da mudança de comportamento que seria aceitável tal delito ainda que com restrições aos roubos mais severos, e por conseguinte a oposição gradualmente cede quando o ato gradualmente se torna 'normal' ou 'natural'. A guerra simbólica assim atua lado a lado com o overton onde as ideias que ganham espaço são inseridas homeopaticamente como cozinhar uma rã gradualmente em banho maria. A diferença do começo ao resultado final são alarmantemente mais graves e assustadoras, onde por fim o absurdo poderia ser colocado como: 'não há mal em torturar e matar o autor para roubar-lhe seus livros que recebe via correio, pois justifica-se como um bem comum ao grupo'.
Os precursores são perigoso, quando surgem e a medida que se tornam cotidianos, a abordagem, por mais invasivo e agressivo que seja tende a ser uma aceitação por sobrevivência, afinal todos os judeus não concordavam em viver num campo de concentração nazistas, mas eles passaram por procedimento similar e gradual que os levaram aquilo até ao holocausto, a dita solução final, porque eles se tornaram um 'peso indesejável'.
Naturalmente, como se observa, isso pode levar a uma inversão completa dos valores e morais, porém, podem haver aplicações igualmente inversas da guerra simbólica ao simplesmente a expor-la, podendo anular seus resultados e efeitos. Afinal a briga não é por brindes, mas por abrir precedentes a crimes mais graves, afinal para que estes simplesmente se interessariam roubar meramente brindes? Isso provaria, porém, que a guerra simbólica é uma faca de dois gumes ao hábil especulador.

Extraído de 'Sistemas Anarquistas' de Gerson Machado de Avillez

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Anarquia: O Problema crítico do poder e suas classificações

A centralidade do poder num grupo ou indivíduo favorece a não aplicação imparcial das leis onde os poderosos privilegiam-se da impunidade, algo que é comprovado hoje em dia praticamente sem exceções, pois o poder, tem se provado, ter a capacidade inigualável de corromper numa quase autocracia. A corrupção considera-se outro problema central nas esferas de poder mais precisamente, problema que nunca fora completamente resolvido ao longo do curso da história humana.
Mais pensadores antigos nutrem ideias semelhantes relegando a ideia de que não existem governantes incorruptíveis mas que são corruptos a medida do poder que detém a exemplo de Diógenes de Sínope, os cínicos e Zenão de Cítio, o fundador do estoicismo.
A conceptualização moderna teria tido seus preceitos formulados por Jean-Jacques Rousseau ainda aproximado de ideias iluministas mas somente levando a auto-intitulação pelo filósofo e político francês Pierre-Joseph Proudhon a quem coube o título de fundador do anarquismo moderno.
Assim em tempos modernos tentou-se aplicar o anarquismo em vários momentos históricos levando-os a papéis importantes em conflitos, normalmente através da revolução. Ainda que nunca tenha conseguido êxito ele emergiu na revolução ucraniana, espanhola e russa o qual Nestor Makhno tentou implanta-lo.
Não sendo qualquer forma de religião ou doutrina o anarquismo respeita seus mestres sem reverencia-los de modo que ignora qualquer tipo de guru do movimento e apesar de alguns terem vínculos com o marxismo preza por um socialismo libertário, não autoritário como vem sendo praticado no mundo.
Não podemos falar de anarquia sem mencionar e discutir o poder, ponto crítico da humanidade e a raiz de todos problemas assim como sua possível resolução, o poder de forma centrada num grupo ou indivíduo sempre leva a hierarquia que o anarquismo combate. O poder humano divide-se em quatro tipos: o político, o de força, o capital e o de conhecimento. A interação entre eles numa sociedade é comum de modo que um poder de força sem política ou conhecimento é ignorante e bruto (comum a de ditaduras, por exemplo) de modo que possam se completar. Mesmo a religião demonstra-se como um tipo de poder político, pois ensina normas de conduta e comportamento em sociedade mas que centrado em hierarquias podem levar a elementos fanáticos. Assim a anarquia não seria ausência de poder, mas sua diluição homogênea em liberdades de modo que mesmo o poder do conhecimento - assim como supôs o manifesto hacker - está presente, mas não pela imposição como o poder da força, mas pela influência, pois fluí como numa onda caótica.

Poder Político: Pode ser descrito como poder social-coletivo e estabelecem normas de convívio podendo assim também ser descrito na religião, regime governamental e etc. Por isso eles frequentemente flertam e se influem mutuamente.

Poder de força: O poder de força isolado é violência, imposto, todavia a exemplo de uma democracia deve ser subordinado a um poder político como de repreensão a crimes e a violência, por exemplo. Porém, quanto menos político mais sem proporção apresenta-se a exemplo das ditaduras onde determinadas coisas são impostas sob coação de força. O poder mais hierárquico assim como primitivo.

Poder de conhecimento: O poder mais presente e onipresente, ele normalmente não é imposto, mas influenciatório, pode apresentar-se numa hierarquia mas sendo dialógico. Um dos poderes mais importantes pois altera a percepção, compreensão e consequente comportamento.

Poder capital: O poder financeiro que ao lado do político pode ter maior capacidade de abismos. Ainda que seja normalmente por influência ele demonstra-se como facilmente corruptor.

Para lerem o ensaio de Gerson Machado de Avillez completo clique aqui.